domingo, 31 de julho de 2011

Nestor Vidal é eleito prefeito de Magé

Rio - O candidato Nestor Vidal (PMDB) foi eleito prefeito de Magé, na Baixada Fluminense, após as eleições realizadas neste domingo (31). Ele disputou o cargo com outros cinco concorrentes. O resultado foi anunciado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após a apuração de 95,42% das urnas. De acordo com o TRE, Nestor Vidal obteve 68,62% dos votos válidos e seu principal adversário, Werner Saraiva, 23,82% dos votos.

Foto: Carlo Wrede/ Agência O Dia
Depois da cassação dos candidatos eleitos em 2008, a prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) e o vice Rozan Gomes da Silva (PSL), o município realizou uma nova votação por causa da . Eles perderam o mandato por abuso de poder político, econômico e utilização indevida de meios de comunicação.

A votação para a escolha do novo prefeito de Magé foi encerrada às 17 horas. Houve denúncias de suspeita de boca de urna. O prefeito Anderson Cozzolino, que é irmão da prefeita cassada, foi flagrado duas vezes  no Colégio estadual José Veríssimo. a maior zona eleitoral da cidade.

O desembargador Zveiter determinou a saída de Cozzolino após ser informado que aquela seria a quarta vez que o político havia retornado ao local de votação. "Tudo está ocorrendo dentro do previsto e os eventos isolados estão sendo imediatamente checados e reprimidos", avaliou o presidente do TRE-RJ.

Detenções
Pela manhã, três pessoas foram detidas. O chefe da Guarda Municipal de Magé, Renato Abreu, conhecido como Renatinho PM, foi preso por boca de urna e levado para o 34º BPM. Também por boca de urna, um eleitor que estava no bairro de Surui foi detido e levado para o Forum de Vila Inhomirim. Já em Santo Aleixo, houve a apreensão de um carro de som em funcionamento. Por determinação do juiz Orlando Feitosa, o motorista também foi encaminhado ao Forum, onde foi ouvido. Nestes dois últimos casos, os envolvidos já assinaram termo de compromisso e foram liberados.

Parentes pedem condenação de coronel por morte na ditadura

Rio - Colegas e parentes de Luiz Eduardo Merlino lembraram neste sábado, em São Paulo, os 40 anos de seu assassinato. Durante um debate, que discutiu o legado de Merlino para a política brasileira, os que homenagearam o militante de esquerda também pediram a condenação do acusado por sua morte, o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Merlino foi jornalista e membro do Partido Operário Comunista (POC) e da Quarta Internacional. Ele foi preso em 15 de julho de 1971 e levado para a sede do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no centro de São Paulo. Naquela época, o DOI-Codi era comandado por Ustra.

Preso no DOI-Codi, Merlino foi torturado e morreu. A família dele recebeu a notícia da morte no dia 19 de julho. Mais de 40 anos depois, eles reivindicam em um processo judicial que o coronel Ustra seja declarado assassino de Merlino.

"A Lei de Anistia não permite que ele seja acusado criminalmente. Então, nós queremos que Ustra seja, pelo menos, oficialmente reconhecido como um assassino", afirmou Angela Mendes de Almeida, historiadora e ex-companheira de Merlino.

Na última quarta-feira, seis testemunhas de acusação contra Ustra foram ouvidas pela juíza Claudia Lima, da 20ª Vara Cível de São Paulo. Todas ratificaram que Ustra agiu para que Merlino morresse.

Eles disseram que a tortura pela qual o militante foi submetido causou ferimentos graves e gangrena nas pernas. Disseram que, mesmo após a tortura, ele ainda poderia ter sobrevivido caso tivesse as pernas amputadas. Entretanto, segundo eles, Ustra determinou que nada fosse feito já visando à morte de Merlino.

Testemunhas de defesa de Ustra ainda serão ouvidas pela Justiça. Só depois disso, a decisão sobre a responsabilidade do coronel pela morte será anunciada.

Para o militante da Quarta Internacional João Machado, contudo, o evento de hoje pressiona a Justiça para que a sentença saia o quanto antes. "É um sinal de pressão", afirmou Machado. "Agora, vamos ver o que a Justiça dirá. Nem sempre a Justiça é justa."

Na quarta-feira, após os depoimentos de acusação, o advogado de Ustra, Paulo Alves Esteves, reiterou que seu cliente afirma jamais ter participado de qualquer ato de agressão ou de violência contra qualquer pessoa. Segundo o advogado, Ustra disse que "nunca determinou nada contra ninguém".

Lula: Dilma só não será candidata em 2014 se não quiser

No Rio, ex-presidente ‘lança’ sucessora para as eleições de 2014. Em Brasília, rouba a cena da visita de Cristina Kirchner

Rio e Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou mais um dia fazendo as vezes de chefe de Estado ontem. No Rio, fez palestra para militares na Escola Superior de Guerra (ESG), onde falou dos avanços do País durante seus dois mandatos e deu sua opinião sobre o futuro do País, traçando metas que o governo atual deveria cumprir. Mais tarde, foi a Brasília, onde participou da inauguração da nova sede da embaixada da Argentina ao lado de sua sucessora, Dilma Rousseff, e da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner e quebrou o protocolo fazendo discurso.
No Rio, ao responder a pergunta de sempre — se seria candidato a presidente em 2014 — ‘lançou’ Dilma: “O Brasil tem uma candidata em 2014 chamada Dilma. Ela é presidente do País, vai fazer um governo extraordinário. E só há uma hipótese de ela não ser candidata. É ela não querer.”
Em Brasília, onde Dilma e Cristina discutiram economia mundial, Lula disse, em discurso improvisado, que as duas iriam “mudar um pouco a política mundial”.
Ontem, mais um funcionário dos Transportes pediu exoneração, o que eleva para 21 o número de pessoas que deixaram os cargos em meio a denúncias de corrupção. O ministro Paulo Sérgio Passos admitiu que as mudanças feitas na pasta afetarão o andamento de obras da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

Concurso premia curtas produzidos por alunos da área de comunicação

Rio - O velho ditado "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" nunca esteve tão na moda. Alunos e ex-alunos dos cursos de graduação e pós-graduação de Cinema, Comunicação, Design, Mídias Digitais, Artes Visuais, Novas Mídias, Belas Artes e Produção Cultural e ainda estudantes de cursos técnicos e livres de Cinema, do Rio já podem se inscrever para a 4ª edição do Curta Criativo, concurso de curtas-metragens promovido pelo Sistema Firjan, através do Sesi Cultura.

Os interessados têm até o dia 20 de setembro para realizar a inscrição através da internet, pelo endereço www.firjan.org.br/sesicultural, e enviar seu curta pelo correio para a Rua Professor Ortiz Monteiro, 276 – bloco C – Cobertura 14, Laranjeiras - Rio de Janeiro – RJ - CEP 22245-100.

O objetivo do concurso é identificar novos talentos da indústria cinematográfica, fomentando a produção audiovisual do Rio. Os prêmios, que incluem pagamento em dinheiro ao primeiro e segundo colocados (R$ 10 mil e R$ 8 mil, respectivamente) em cada categoria – Animação, Ficção, Documentário, permitem que os novos profissionais continuem o processo de desenvolvimento.

Na premiação estão incluídos estágios em produtoras, exibição do curta em festivais e bônus para aluguel de equipamentos. Os candidatos devem produzir um curta-metragem de até cinco minutos, com tema livre. Nesta edição, Lucy Barreto, uma das mais importantes produtoras brasileiras, presidirá o júri. Mais informações sobre o concurso podem ser obtidas pelo 0800-0231231 ou pelo site do Sistema FIRJAN (www.firjan.org.br/sesicultural), Facebook (www.facebook.com/sesiculturalrio) e Twitter (@sesiculturalrio).

Evento tira dúvidas sobre intercâmbio estudantil

studantil

Rio - Alunos que se interessam por intercâmbio estudantil poderão tirar suas dúvidas neste fim de semana, no Rio. Agências como Australia Brasil, Canada Travel e Nova Zelandia Brasil promoverão uma série de palestras no próximo dia 30, na Barra da Tijuca.

O evento tem como objetivo discutir as melhores opções de cursos, financiamentos e trabalho no exterior, entre outras dúvidas de interessados em programas de intercâmbio.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelos sites www.australiabrasil.com.br, www.novazelandiabrasil.com.br, www.canadatravel.com.br  ou pelo telefone (21) 2512.7022. As vagas são limitadas. 

Confira a programação:
10h – Austrália
14h – Canadá
15h – Nova Zelândia   

USP sobe 8 posições em ranking de universidades e lidera entre latinas

Rio - A Universidade de São Paulo (USP) é a 43ª universidade melhor colocada de acordo com o ranking divulgado pela Webometrics Ranking Web of World Universities, que avalia a visibilidade na internet das instituições de ensino superior. Na última publicação, em janeiro deste ano, a instituição aparecia na 51ª colocação. A USP é a instituição brasileira mais bem colocada no ranking geral e lidera entre as melhores na América Latina. Veja aqui o ranking mundial.
O top 10 é formado por instituições americanas. As três primeiras colocadas são a Massachusetts Institute of Technology, Harvard University e Stanford University, que permanecem na mesma colocação da última divulgação. A primeira universidade europeia no levantamento é Cambridge, localizada na Inglaterra.
O ranking América Latina é liderado pelas universidades brasileiras. Entre as dez primeiras colocadas, sete são instituições do Brasil. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na 150ª posição, Universidade Estadual de Campinas, na 158ª colocação, seguidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e Universidade Federal de Minas Gerais. Veja aqui o ranking América Latina.
Desde 2004, o ranking é divulgado duas vezes por ano - em janeiro e julho - e cobre mais de 20 mil instituições de ensino superior de todo o mundo. O relatório leva em conta o desempenho global e a visibilidade das instituições na web, incluindo indicadores de pesquisa e qualidade de estudantes e professores, levando em conta seu compromisso com o ensino, os resultados das pesquisas e suas relações com outros setores da sociedade
O Webometrics Ranking Web of World Universities é promovido pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC, na sigla em espanhol) da Espanha. Estatísticas relacionadas ao número de visitantes em páginas da internet pertencentes a universidades são consideradas. Outro aspecto é o número de publicações em citações bibliográficas dentro do banco de dados Google Scholar, que tem boa cobertura dos repositórios institucionais das universidades em todo o mundo.
A ideia do ranking é motivar as instituições e pesquisadores a estarem presentes na web, divulgando com precisão suas atividades. Além disso, de acordo com a organização do ranking, se o desempenho da universidade na web estiver abaixo da posição esperada em função da excelência acadêmica, deveria haver um esforço maior por parte da universidade na divulgação das publicações no âmbito online.
Outras informações podem ser obtidas no site www.webometrics.info.

Brasileiro ganha ouro inédito em campeonato mundial de Física

Rio - Um estudante brasileiro conquistou, pela primeira vez, medalha de ouro em um Olimpíada Internacional de Física. A conquista também é a primeira de um país ibero-americano na competição, que desta vez ocorreu em Bangcoc, na Tailândia.

Gustavo Haddad Braga, aluno de um colégio em São Paulo, foi responsável pelo feito inédito. Ivan Tadeu (também do Colégio Objetivo de São Paulo), Lucas Hernandes (Colégio Etapa de São Paulo) e os cearenses José Guilherme Alves (Colégio Ari de Sá) e Ricardo Duarte Lima (Colégio Farias Brito) ficaram com o bronze.

A Olimpíada Internacional de Física é uma competição anual voltada a estudantes de todo o mundo que estejam cursando o equivalente ao ensino médio brasileiro. Os brasileiros concorreram com 394 alunos de 84 nacionalidades.

"Apenas 8% dos alunos do torneio recebem a medalha de ouro. Isso significa que o Gustavo faz parte de um grupo seleto, onde estão os melhores alunos do mundo na área da física, para o mesmo nível que o dele", disse Euclydes Marega Júnior, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), à Agência FAPESP.

EMPREGO DECENTE - Bancários aprovam 5% de aumento real mais a recomposição da inflação

A 13ª Conferência Nacional dos Bancários terminou na tarde deste domingo, dia 31, em São Paulo, e aprovou a minuta de reivindicações da categoria para a campanha salarial 2011. Os bancários aprovaram aumento real de 5% mais a recomposição da inflação do ano, que totalizará um índice de, aproximadamente, 12,8%. O índice total dependerá da variação inflacionária, calculada a partir do INPC até a data-base da categoria (1º de setembro). Este índice vale para todas as verbas salariais. A categoria defende também um tíquete-refeição e um auxílio-alimentação no valor de um Salário-mínimo (R$545).
 PLR

A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) defendida é de três salários mais uma verba fixa de R$4.500. A categoria defende também o piso salarial a partir do salário-mínimo calculado pelo Dieese, que hoje é de cerca de R$ 2.297.
“O aumento real é uma conquista histórica da qual não abrimos mão. Já a recomposição da inflação é uma obrigação dos patrões. Ambos são fundamentais para recuperação do poder de compra da categoria. Vamos construir uma ampla mobilização nacional para conquistarmos um acordo coletivo justo”, disse o presidente do Sindicato Almir Aguiar.
A partir desta semana, será publicado no site do Sindicato (www.bancariosrio.org.br) a íntegra da minuta.

Proposta de mídia

Durante a Plenária final, o secretário de Imprensa da Contraf-CUT Ademir Wiederkehr, apresentou a proposta de mídia da campanha salarial, que também é resultado de um amplo e democrático debate nacional. “Realizamos cinco reuniões com sindicalistas e profissionais de imprensa de todo o país e o que foi discutido nestes encontros foram levados para os sindicatos para definirmos esta campanha de mídia, pautada pelo mote da CUT para este ano, que a defesa do trabalho decente”, disse.

Contra a precarização do trabalho

Em relação ao emprego, a categoria vai intensificar a luta pela ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que inibe a demissão imotivada. O item considerado mais importante em relação ao emprego é o combate às terceirizações, especialmente na forma dos correspondentes bancários, criados pelos bancos para reduzir custos e aumentar os lucros e considerada uma ameaça real a própria existência da categoria . Os bancários definiram que será criada uma estratégia para dialogar com a sociedade a necessidade de universalização dos serviços bancários. “Não basta afirmar que somos contra o correspondente bancário. É preciso criar um amplo debate com a população para comprovar que o correspondente, além de precarizar o trabalho, não oferece segurança para ninguém e nem qualidade de atendimento. Temo s que mostrar as pessoas que todo cidadão tem o direito a um atendimento digno numa agência bancária”, avalia Almir.

Sistema financeiro

A Conferência aprovou a realização de uma Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro, nos moldes do que foi feito em relação à comunicação social. Para os sindicalistas, esta é a melhor forma de envolver a sociedade neste debate. Os bancários querem a democratização do Conselho Monetário Nacional (CMN), com a presença de representantes da sociedade, inclusive do movimento sindical.
O diretor da Contraf-CUT Miguel Pereira lembra que os bancos estaduais cumpriam o papel de garantir unidades bancárias no interior do país. “Os banqueiros alegam que criar agências em determinadas regiões mais distantes dá prejuízo, mas as instituições financeiras são concessões públicas. Os bancos precisam cumprir com sua responsabilidade social e garantir o atendimento bancário em todas as regiões do país”, disse.

Saúde e condições de trabalho

A Conferência aprovou também a luta pelo fim das metas abusivas e contra o assédio moral, para resguardar a saúde dos bancários e garantir melhores condições de trabalho. Foi mantido o aditivo à Convenção Coletiva que criou, em 2010, o programa de combate ao assédio moral, em acordo com a Fenaban, como parte da estratégia para por fim a pressão e a violência psicológica no trabalho.
Os quase 700 participantes da 13ª Conferência Nacional fizeram um minuto de silêncio pela morte de um bancário do Itaú Unibanco que morreu trabalhando no caixa. “A pressão e a violência psicológica sobre os bancários, em especial no Itaú, chegaram a tal nível que os funcionários estão não só adoecendo, mas também perdendo a vida”, disse a diretora do Sindicato Vera Luiza.
Foram aprovadas ainda três moções. Uma delas trata da luta pela garantia no emprego e pelo adicional noturno para todos os funcionários do setor de compensação dos bancos e duas referem-se ao repúdio dos bancários à retaliação dos bancos em relação aos trabalhadores sindicalistas, inclusive com demissões.

Igualdade de oportunidades

Os sindicalistas discutiram ainda a igualdade de oportunidades. O tema esteve presente em todos os grupos de trabalho da Conferência Nacional. Foram tratadas questões como acessibilidade, promoção da igualdade de oportunidades para todos, contratação, inclusão e capacitação de pessoas com deficiência e combate a toda a forma de discriminação, como ocorre em relação à raça e o gênero.

Segurança

Em relação á segurança, ficou definido como uma das prioridades a luta pela melhoria da assistência médica e psicológica aos bancários vítimas de assaltos nas agências.
Para o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, as discussões no grupo de trabalho foram altamente qualificadas e serviram para atualizar a pauta de reivindicações. "A falta de segurança nos bancos é um tema que os bancários têm discutido há anos. Esse problema já deveria ter sido resolvido faz tempo, se não fosse o descaso dos bancos", comenta.

A categoria também vai reivindicar que as instituições financeiras instalem mais equipamentos de prevenção contra assaltos, sequestros e extorsões. Outra preocupação dos bancários é em relação aos crimes das chamadas "saidinha de banco". Os bancários aprovam a ideia da instalação de divisórias entre os caixas, inclusive os eletrônicos, para que os saques em dinheiro sejam feitos com privacidade e, acima de tudo, mais investimentos dos bancos em equipamentos de segurança.

“É preciso garantir a segurança das pessoas, bancários e clientes, e não apenas do patrimônio físico e do dinheiro dos bancos”, ressalta o diretor do Sindicato do Rio Marcelo Rodrigues.

sábado, 30 de julho de 2011

SEGUE NOTA MAIS COMPLETA SOBRE A CONCLUSÃO DA AQUISIÇÃO DA GAS BRASILIANO Petrobras concluiu compra da Gas Brasiliano Distribuidora por US$ 271 milhões

A Petrobras Gás S.A. (Gaspetro) concluiu, nesta sexta-feira (29/07), a aquisição da concessionária de distribuição de gás natural da região noroeste do Estado de São Paulo, Gas Brasiliano Distribuidora (GBD), até então controlada pela italiana ENI International B.V.

O valor da operação atingiu aproximadamente US$ 271 milhões após os ajustes referentes à variação do capital de giro, conforme previsto no contrato de compra e venda de ações assinado pela Gaspetro e pela ENI. Esse valor ainda estará sujeito a um ajuste referente ao capital de giro existente na data 31/07/2011.

A GBD possui a exclusividade no serviço de distribuição de gás natural na região noroeste do Estado de São Paulo, em uma área que cobre 375 municípios e atende à demanda industrial, comercial, residencial e veicular dessa região. Em 2010, a rede de distribuição da companhia alcançou 755 km e o volume de vendas foi aproximadamente de 650 mil m³/dia. Os investimentos previstos no plano de negócios da GBD, e aprovados pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) na última revisão tarifária da companhia, deverão atingir pelo menos R$ 106,2 milhões no quinquênio 2010-2014. Este investimento visa à expansão da malha de distribuição e ampliação do mercado para 1,2 milhão de m³/dia até 2014. O contrato de concessão da GBD teve início em dezembro de 1999 com duração de 30 anos, podendo ser estendido por mais 20 anos.

Para a Petrobras, esta aquisição irá posicionar a empresa na atividade de distribuição no maior mercado brasileiro, próximo à entrada do gás fornecido pela Bolívia, transportado pelo GASBOL, e às reservas de gás da região Sudeste, inclusive do pré-sal.

Conforme divulgado ao mercado em comunicado no dia 27 de maio de 2010, a Petrobras, através de sua subsidiária Petrobras Gás S.A., assinou com a ENI International B.V., contrato de aquisição da totalidade das ações da GBD. A conclusão da transação estava condicionada à aprovação dos órgãos reguladores relevantes no Brasil. Com o consentimento da ARSESP, em 19 de abril de 2011, e a assinatura do termo aditivo ao contrato de concessão da GBD, em 18 de julho de 2011, todas as condições precedentes foram satisfeitas e o fechamento da operação , conforme previsto no contrato, foi realizado nesta data. A operação já havia recebido a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 15 de dezembro de 2010.

Poço de Extensão de Guará confirma continuidade da acumulação

A Petrobras concluiu a perfuração do segundo poço de extensão da área de Guará, o 3-SPS-82A (3-BRSA-923A-SPS), localizado no pré-sal da Bacia de Santos.

O poço, informalmente conhecido como Guará Sul, foi perfurado a 5,7 km ao sul do poço pioneiro descobridor (1-SPS-55).  Em profundidade de água de 2.156 metros, o Guará Sul está localizado a 315 km do litoral do estado de São Paulo. Incluindo o pioneiro, este é o terceiro poço concluído na área de Guará.

Análises preliminares comprovaram as boas condições de reservatório e sua continuidade lateral. O monitoramento das pressões comparadas às do poço descobridor, atualmente em teste de longa duração (TLD), constatou a comunicação hidráulica do reservatório entre os dois poços. Esse cenário indica uma boa perspectiva de produção para essa acumulação.

Teste a cabo nos reservatórios do pré-sal demonstrou a presença de petróleo leve de cerca de 27º API. Testes de formação ainda serão feitos para avaliar a produtividade do reservatório.

A Petrobras é operadora do consórcio para exploração do bloco BM-S-09 (45%), em parceria com a BG Group (30%) e a Repsol Sinopec Brasil (25%). O consórcio dará continuidade às atividades previstas no Plano de Avaliação de Guará.

Clique aqui para visualizar o mapa.

Petrobras completes the acquisition of Gas Brasiliano Distribuidora for $271 million

Petrobras Gás S.A. (Gaspetro) completed the acquisition of Gas Brasiliano Distribuidora (GBD), a natural gas distribution utility operating in the northwestern region of the state of São Paulo. The operation was concluded this Friday, July 29. Previously, the utility was controlled by Italy's ENI International B.V.

The transaction was worth approximately $271 million after adjustments for working capital variations provided for under the share purchase agreement signed by Gaspetro and ENI. The final amount is still subject to adjustments related to working capital existing on July 31, 2011.

GBD holds an exclusive concession for natural gas distribution activities in the northwestern state of São Paulo, in an area encompassing 375 municipalities. It supplies the region's industrial, commercial, residential and transportation needs.  In 2010, the company's distribution network added up to 755 km, and it traded some 650 thousand cubic meters of gas per day. The investments foreseen under GBD's business plan, as approved by the State of São Paulo Sanitation and Energy Regulation Agency (ARSESP) in the company's latest tariff review, are expected to reach at least R$106.2 million in the five-year period ranging from 2010 to 2014. They are expected to be used to expand the distribution network and to grow the company's sales to 1.2 million cubic meters per day by 2014. GBD's 30-year concession agreement began in December 1999, and may be extended for 20 years.

This acquisition will position Petrobras in the distribution segment in the largest Brazilian natural gas market, which is located near the entrance of the gas supplied by Bolivia and transported over the GASBOL, and close to the gas reserves in Southeastern Brazil, including those coming from the pre-salt area.

As announced in a statement to the market issued on May 27, 2010, Petrobras, through its subsidiary Petrobras Gás S.A., signed an agreement to acquire the totality of the shares of GBD with ENI International B.V. The transaction was subject to approval by the relevant regulatory bodies in Brazil. With the consent of ARSESP, granted on April 19, 2011, and the signing of the addendum to GBD's concession agreement, on July 18, 2011, all conditions precedent were met, and the transaction, as provided for in the agreement, was closed today. The operation had already been approved by the Administrative Council for Economic Defense (CADE) on December 15, 2010.

Presidente da Petrobras divulga Plano de Negócios 2011 - 2015 em Londres e Nova York

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, concederá coletiva de imprensa na segunda-feira (01/08), em Londres, às 12h (8h em Brasília), sobre o Plano de Negócios 2011-2015. Também participam do evento o Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Almir Barbassa, e o Gerente Executivo de Relações com Investidores, Theodore Helms.

Na terça-feira (02/08), o presidente da Petrobras e os executivos apresentarão o Plano de Negócios 2011 - 2015 em Nova York, às 12h (13h em Brasília).

Serviço
Evento: Apresentação Plano de Negócios da Petrobras 2011-2015 em Londres
Data: segunda-feira, 1º de agosto de 2011
Local: Claridge's Hotel
Brook Street
Mayfair
London W1K 4HR
Horário: às 12h (8h em Brasília)

Evento: Apresentação Plano de Negócios da Petrobras 2011-2015 em Nova York
Data: terça-feira, 2 de agosto de 2011
Local: The New York Palace
455 Madison Avenue
New York, NY 10022
Horário: às 12h (13h em Brasília)

ITAÚ UNIBANCO - Sindicato envia carta a Setúbal em protesto contra demissões

Leia abaixo a carta que a diretoria do Sindicato enviou ao presidente do Itaú Unibanco,
Roberto Setúbal, em protesto contra a política de demissões em massa no banco. Na última
terça-feira (12), seis funcionários foram demitidos no prédio da Rio Branco, 123. Na
mesma data, os bancários do Rio realizaram novo protesto em frente à unidade. Desde
janeiro, já são mais de quatro mil trabalhadores dispensados. No Rio, a média é de um
bancário demitido a cada duas horas. Mais detalhes da manifestação na página 4.
Exmo. Sr.
A “lição de casa” que Vossa Senhoria prometeu aos acionistas do Itaú Unibanco, ou seja, os cortes
de custos concentrados na redução do quadro de pessoal é a mais viva expressão do saudosismo que a
elite brasileira nutre pela escravidão.
A prática cultural da mentira e da desfaçatez faz de pessoas como Vossa Senhoria os personagens
mais presunçosos dessa elite. Nas demissões de hoje, o triste bordão do passado: “Empregado precisa
de salário para quê?”
Seus porta-vozes alegam que estão revendo negócios, processos e gastos, para buscar mais
eficiência, mas que não querem demitir. Dizem também que vão criar novas vagas. Vê-se que aqui,
sim, os executivos estão fazendo a “lição de casa” – também mentir. As demissões seguem um curso
quase torrencial, todos os dias, em todas as praças.
A fusão Itaú Unibanco pressupõe uma estratégia de expansão. Também nesse caso é preciso levar
em conta a importância do binômio emprego e renda, uma lição que o presidente Lula ensinou ao
mundo na crise financeira de 2008. A lógica de tratar os trabalhadores como “laranjas”, peças
descartáveis, só é possível porque o Congresso Nacional ainda não votou a nova adesão do Brasil à
Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que inibe as demissões imotivadas,
injustificáveis, especialmente considerando a lucratividade do Itaú Unibanco – R$3,35 bilhões no
primeiro trimestre deste ano; e R$13,3 bilhões, ao longo de 2010.
Queremos expressar toda a nossa repulsa à iniciativa demissionária de Vossa Senhoria e exigir
respeito aos trabalhadores, que constroem a riqueza do império dos Setúbal/Salles. Sua política de
recursos humanos, cruel e destruidora, contradiz por completo os princípios de sustentabilidade, em
que se baseou o prêmio recentemente auferido pelo Itaú Unibanco.
Demitir, tornando mais agudos os problemas administrativos que o banco enfrenta depois da fusão,
é, sobretudo, um desrespeito à clientela, demonstrando despreocupação da empresa em relação à
qualidade dos serviços que oferece.
Quanto aos bancários, além de conviverem há tempos com a pressão por metas absurdas,
convivem, agora, com a imagem tenebrosa do desemprego criada pelo presidente da empresa.
Mas saiba Vossa Senhoria que os trabalhadores do Itaú Unibanco darão uma resposta à altura.
A diretoria
Sindicato dos Bancários do Rio

Mauro Santayana - O titanic e o mar de icebergs

Por Mauro Santayana , é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa.

O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti, advertiu que “a Europa pode afundar, como o Titanic”. Desde a crise norte-americana que os observadores anunciam o desastre. Entre as várias causas está a ilusão de que é possível unificar a Europa, a partir da economia. Enquanto todos os países se encontravam mais ou menos na mesma situação, foi possível estabelecer a Comunidade do Carvão e do Aço e, pouco a pouco, criar os mecanismos de integração.
O Tratado de Roma foi assinado por países que se encontravam mais ou menos na mesma situação: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Ao ampliar-se a comunidade, com a adesão de países periféricos, começaram a surgir os problemas de convivência. Os que chegavam, chegavam com mais necessidades. Os estadistas europeus atuaram com grande sensibilidade, acossados pela memória das guerras continentais, principalmente a de 1914 a 1918 e a de 1939 a 1945.
A criação do euro, em 1998 (entrando em circulação em 1º de janeiro do ano seguinte) culminou o processo de integração, mas ficaram, e astutamente, fora da moeda única a Inglaterra e outros países. Ora, tratava-se de uma sociedade em que havia ricos e havia pobres. Não era possível que, em um passe de mágica, países de economia relativamente débil — como Espanha e Portugal, que ao integrar-se ainda não se haviam recuperado das ditaduras de direita — pudessem andar no mesmo passo.
Os países ricos os favoreceram com financiamentos, alguns, como para certas obras de infraestrutura, a fundo perdido. Mas todas essas medidas não eliminavam as dificuldades da adoção de uma moeda única em economias tão desiguais. Embora a União Europeia pudesse aconselhar determinadas providências de ordem tributária e de política social, a autonomia política impedia, e é bom que assim seja, uma ação comum ditada pelos mais fortes.
A situação vinha sendo administrada, bem ou mal, até que a queda do Muro de Berlim estimulou os centros mundiais do poder financeiro a deixarem os seus cuidados retóricos e decretarem, com insolência, a prevalência do mercado contra o estado. Com a cumplicidade dos governantes (e, no capítulo, estivemos muito mal), caíram as fronteiras alfandegárias, desnacionalizou-se a indústria dos países periféricos e se privatizaram as empresas públicas.
Os centros de decisão se transferiram dos gabinetes presidenciais e dos parlamentos para os encontros, discretos uns e ostensivos outros, dos grandes financistas que controlam o dinheiro do mundo. Ocorre que ética e lógica caminham juntas, como filhas da razão. Quando uma se ausenta, a outra desaparece. A voracidade do capital, ao violar a ética, perde a lógica. Foi assim que o mercado dos derivativos se tornou o buraco negro das finanças mundiais: criou-se um capital fictício, que alimentou os grandes especuladores e levou milhões à miséria.
Os governos, sem embargo da clareza do problema, em lugar de deixarem que os banqueiros paguem pelos excessos de suas ambições, tratam de salvá-los, em nome da estabilidade. Como alguém tem que pagar a conta, pagam os de sempre, isto é, os pobres e os não ricos. Pagam com a redução dos serviços sociais, de saúde, educação e segurança, e pagam com o desemprego.
A alguns ministros italianos de Berlusconi faltam credenciais da honra, mas a metáfora do Titanic é válida. Ocorre que a Europa não tem pela frente um só iceberg. Ela navega em mar pejado dessas montanhas de gelo. Os Estados Unidos estão encalhados no saguão do Capitólio, à espera que o nível de endividamento se eleve, para sua salvação; a China começa a desconfiar de que seu extraordinário crescimento lhe trará pesadas dificuldades no convívio internacional: seus fabulosos créditos no mundo podem esfarinhar-se na catástrofe que se espera. Todos os países passam pela mesma inquietude. A saída é fácil, se houver a decisão política de tirar a moeda das mãos dos banqueiros e, com isso, expulsá-los do poder ilegítimo que exercem no mundo.

Carlos Cordeiro - Pela verdadeira universalização dos serviços bancários

Por Carlos Cordeiro , presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
Crédito: Jailton Garcia
Jailton Garcia











O jornal Brasil Econômico publicou na edição desta terça-feira, 26 de julho, artigo do presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. Intitulado "Pela verdadeira universalização dos serviços bancários", o texto denuncia a política de exclusão bancária através dos correspondentes e defende a inclusão bancária para todos os brasileiros.

Para Carlos Cordeiro, "ao contrário da propaganda do sistema financeiro de que está aumentando a bancarização com a abertura indiscriminada de correspondentes, o que de fato está acontecendo é a elitização dos serviços e a expulsão das agências das camadas mais pobres da população - além de ser uma estratégia para reduzir custos".

Leia abaixo a íntegra do artigo:

Pela verdadeira universalização dos serviços bancários

Carlos Cordeiro*

Nos últimos oito anos, 48,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente para as classes A, B e C, ampliando o mercado de consumo em quase uma Espanha, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas.

Esse crescimento econômico extraordinário já coloca o Brasil como a 7ª economia mundial, a caminho de conquistar o 5º lugar talvez ainda nesta década. No entanto, a despeito dessa inédita inclusão social na nossa história, o país ainda pontua no vergonhoso ranking das dez economias mais desiguais do planeta.

O Brasil caminha na direção certa, mas precisa acelerar o processo de desenvolvimento, o que inclui manter o ritmo de crescimento econômico alto e sustentável, desconcentração da riqueza, geração de mais e melhores empregos, fim da miséria, crescente inclusão e universalização de direitos e de cidadania.

Um desses direitos é o de ter acesso ao crédito e a dispor de conta em banco, sem discriminação de qualquer espécie - o que não está sendo assegurado aos brasileiros. Dados do Banco Central revelam que, dos 5.587 municípios brasileiros, 1.973 (35,3%) não possuem sequer uma agência ou posto de atendimento bancário, e que 49% da população brasileira não possui nenhum tipo de atendimento em instituições financeiras. No Nordeste, apenas 36% têm conta em banco.

Embora sejam concessões públicas, os bancos não estão cumprindo seu papel. Em vez de ampliar o número de agências, para melhorar o atendimento à população em boas condições de segurança, estão empurrando sua responsabilidade para terceiros, com a abertura indiscriminada de correspondentes bancários (supermercados, lojas, lotéricas, drogarias etc.). Em dezembro de 2010, já havia 165.228 correspondentes no país, contra 19.813 agências bancárias.

Ao contrário da propaganda do sistema financeiro de que está aumentando a bancarização com a abertura indiscriminada de correspondentes, o que de fato está acontecendo é a elitização dos serviços e a expulsão das agências das camadas mais pobres da população - além de ser uma estratégia para reduzir custos.

Para justificar a edição das resoluções 3.954 e 3.959 de fevereiro e março deste ano, respectivamente, que ampliam a liberdade de os bancos abrirem correspondentes bancários, o Banco Central argumentou que elas visam a inclusão social. Não é verdade. A metade dos correspondentes está concentrada no Sudeste, sendo que 25% somente no Estado de São Paulo, a região mais bancarizada do país. O BC está atendendo os interesses dos bancos e não os da sociedade.

Mais: esses correspondentes frequentemente funcionam ao lado ou em frente às agências. É para lá que os bancos estão empurrando a clientela de baixa renda, reservando as agências tradicionais para os correntistas mais abastados e criando os pontos de atendimento mais exclusivos para a elite da elite. E se nas agências bancárias a violência já é grande, com três mortes em média por mês, nos correspondentes bancários a falta de segurança é ainda maior.

Estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que os correspondentes representam para as instituições financeiras 25% da folha salarial dos bancários. É mais uma forma de os bancos aumentarem os lucros reduzindo custos e precarizando as relações de trabalho.

Isso não é inclusão. É uma segmentação que aumenta a exclusão social. Bancarizar é incluir quem está à margem do sistema, garantindo que tenham conta em banco e, assim, levar crédito à sociedade, promovendo desenvolvimento econômico e social, que deveria ser o verdadeiro papel dos bancos.

*Carlos Cordeiro é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)


Fonte: Contraf-CUT

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CONFERÊNCIA AO VIVO - Trabalho da imprensa é elogiado por participantes da Conferência Nacional

O trabalho feito pela Rede de Comunicação dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e que conta com a participação de jornalistas e profissionais de imprensa dos sindicatos e federações de todo o Brasil foi amplamente elogiado pelos sindicalistas e delegados da Conferência Nacional. O secretário-geral da Contraf, Marcel Barros, chegou a pedir à platéia que aplaudisse o esforço dos profissionais da mídia sindical. “Graças ao trabalho dos profissionais de imprensa temos hoje a transmissão, ao vivo da conferência para todo o país e para o mundo”, disse referindo-se ao uso da webtv como forma de aprimorar a cobertura do evento.

Importância da comunicação

A diretora da Secretaria de Imprensa do Sindicato do Rio, Vera Luíza, destacou a importância do uso das novas tecnologias em favor da mobilização dos trabalhadores. “As classes dominantes sempre se apropriaram dos novos meios de comunicação de massa para preservar a hegemonia política. Mais do que nunca, é fundamental que o movimento sindical também aproveite estes instrumentos tecnológicos em favor da classe trabalhadora”, afirma.

O diretor de imprensa da Contraf-CUT Ademir Wiederkehr também destacou a importância da utilização dos novos meios de comunicação. “Cada vez mais os sindicatos investem em comunicação e se conscientizam do papel fundamental das novas mídias nas lutas da categoria e da classe trabalhadora. É importante que outras categorias também invistam mais neste setor fundamental que é a comunicação social, um dos principais instrumentos de lutas dos trabalhadores”, avalia.

O presidente do Sindicato do Rio Almir Aguiar também elogiou o trabalho dos profissionais de imprensa. “Verifiquei, muitas vezes, no momento em que nós delegados estávamos no intervalo do almoço ou entre os debates, a sala de imprensa continuava cheia de jornalistas trabalhando para que os bancários possam ter, em tempo real, a cobertura jornalística da Conferência Nacional para todos os bancários, inclusive com imagens ao vivo, através da webtv”, ressalta.

Campanha Salarial 2011 13ª - Conferência Nacional dos Bancários


Os debates da 13ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada nesta sexta-feira (29), em São Paulo, começaram com o tema Igualdade de Oportunidades. Em função de um imprevisto, o jurista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Dalmo de Abreu Dallari não compareceu ao evento, o que levou a organização da Conferência a suspender o painel sobre saúde e condições de trabalho.

O professor de economia da Universidade Federal de São Carlos, doutor pelo Institut de Hautes Estudes de L' Amereque Latine, de Paris, Pedro Chadarevian, apresentou sua teoria econômica da discriminação. Ele disse que seu trabalho acadêmico foca a questão racial, mas disse que há elementos concretos que comprovam a discriminação de gênero. “A discussão de gênero envolve questões de caráter moral, familiar e é um tema mais subjetivo, que permite à psicologia, um estudo mais preciso. Já a discriminação racial no Brasil possui razões históricas, que facilitam a pesquisa no campo econômico”, disse. Ele acrescenta que o racismo no país vai além da d iscriminação individual, mas que o Brasil possui historicamente mecanismos discriminatórios. “A hierarquização no trabalho não é resultado do que os setores conservadores chamam de ‘meritocracia’, mas mecanismos ideológicos que criam barreiras às minorias, na qual são levadas em consideração a raça e o gênero dos indivíduos”, destaca.

Raízes coloniais

Chadarevian cita um exemplo claro da discriminação de gênero. “Hoje há mais mulheres do que homens no ensino superior, mas isto não se traduz em progresso profissional e melhores salários”, afirma. Chadarevian apresentou dados que comprovam a discriminação no mercado de trabalho: Os brancos ganham, na média, duas vezes mais do que os negros e ocupam as funções de mais prestígio. Na base da pirâmide social está a maior parte dos não-brancos, que ocupam trabalhos manuais e de baixa remuneração ou são moradores de rua. “Eles são as maiores vítimas da violência no país”, critica. O especialista acrescenta que estas distorções estão nas raízes coloniais do Brasil, que se caracteriza ainda hoje pela concentração fundiária. “A abolição tardia, a política imigratória que trouxe europeus para setores industriais e a retórica oficial ajudam a explicar o problema”, ressalta. Ele explica que, após a escravidão oficial, houve uma migração seletiva para o mercado de trabalho, na qual os brancos sempre tiveram prioridade.

Avanços e críticas

O economista admite avanços a partir do governo Lula, mas critica o que chama de “ausência da reforma agrária, “estado de bem-estar incompleto” e “programas de ações afirmativas tardias”. Em sua opinião, a presença maior de negros nas classes emergentes tem muito mais haver com o crescimento econômico do que com as ações governamentais afirmativas, como a política de cotas, que ele defende. “Historicamente, em momentos de crise, diminui a presença de negros no mercado de trabalho e nos momentos de expansão econômica é comum que haja uma redução das desigualdades sociais, nas quais os não-brancos são os maiores beneficiados”, disse. Ele criticou ainda a lógica neoliberal que criminaliza os movimentos sociais e destacou a importância das ações sindicais. “Há dados comprovando que nas categorias onde o nível de sindicalização é maior, h á uma redução nas desigualdades sociais e nas diferenças salariais”, conclui.

ABERTURA SOLENE- Presidente da Contraf-CUT convoca bancários a lutarem por emprego decente

Durante a abertura solene da Conferência Nacional, na noite desta sexta-feira (29), o presidente da Contraf-CUT Carlos Cordeiro fez duras críticas às demissões no setor bancário e acusou a alta rotatividade nos bancos de uma violência contra o trabalhador. “Estivemos no México e na Argentina com companheiros do HSBC e vimos problemas comuns da categoria que acontecem também no Brasil, como metas abusivas, pressão e demissões. Na Argentina, os sindicalistas denunciaram que, de um total de seis mil bancários, o banco dispensou 11 funcionários em 2010. Somente em Curitiba, onde o HSBC possui também cerca de seis trabalhadores, a empresa demitiu 800 bancários. Este fenômeno da alta rotatividade é praticado exclusivamente no Brasil”, denuncia. O sindicalista lembrou ainda que 38 mil bancários foram demitidos no país no ano passado. “Os novos contratos entram nos bancos ganhando 54% menos do que recebiam os funcionários antigos demitidos”, critica. Ao final, ele conclamou a categoria a fortalecer a unidade e lutar por emprego decente, com estabilidade, segurança nas agências, condições de trabalho e de saúde e melhor remuneração, inclusive para os trabalhadores aposentados. “Vamos iniciar a campanha com forte mobilização e greve contra o discurso patronal que defende um índice de reajuste baseado em previsões futuras da inflação e não em relação às perdas do período”, conclui.
Salário não gera inflação
O presidente nacional da CUT também criticou a volta do discurso de que “salário gera inflação”. O sindicalista disse que a categoria bancária é uma referência para toda a classe trabalhadora. “Desta conferência surgirá, mais uma vez, uma campanha salarial brilhante. Os bancários têm um papel fundamental contra o discurso neoliberal. A luta de classes continua e a campanha nacional dos bancários é a maior prova disto”, afirma.

A presidente reeleita do Sindicato de São Paulo, Juvandia Moreira, anfitriã do encontro, lembrou que os bancos faturaram muito nos últimos anos e podem perfeitamente atender as reivindicações dos bancários. “Nos últimos 15 anos as instituições financeiras foram o setor que mais lucrou no Brasil”, disse. Ela criticou também a concentração no setor financeiro nacional. “Os seis mais poderosos bancos do país concentram os maiores ativos do sistema financeiro”, critica. Juvandia destacou ainda que a campanha precisa dialogar também com a sociedade.

SISTEMA FINANCEIRO - Professor da UFRJ critica cartel e defende regulamentação do sistema financeiro

O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando Cardim, criticou o atual modelo do sistema financeiro nacional, baseado em conglomerados e numa concorrência oligopolista. Ele defendeu a regulação do setor e a democratização do crédito. “A crise mundial mostrou os males do oligopólio formado pelo setor financeiro. Os bancos priorizam o crédito pessoal consignado, a juros altíssimos e sem qualquer risco para as instituições financeiras em detrimento do crédito para o setor produtivo e para o desenvolvimento econômico e social do país. Mesmo em momentos de turbulências e crises mundiais, os bancos recebem o socorro do Banco Central”, disse. Ele lembra que não há concorrência no setor bancário e defendeu reformas profundas e maior competitividade. “O contexto obriga os bancários a ter nesta campanha salarial não apenas uma preocupação corporativa, mas enquanto cidadãos” acrescenta.

No Brasil, os dez maiores bancos detêm cerca de 66% dos ativos do sistema financeiro nacional.

Papel dos bancos públicos

Fernando Cardim destacou a importância do debate sobre o papel social dos bancos públicos. “Vimos durante a crise internacional, chamada pelo presidente Lula de marolinha, a importância da ampliação do crédito feita pelos bancos públicos. Mas esta ação tem sido feita apenas em momentos especiais, quando deveria ser uma prática comum dos bancos atenderem as demandas sociais”, ressalta. Ele questionou o aspecto mais mercadológico do Banco do Brasil. “A Caixa Econômica Federal e o BNDES são instrumentos naturais das ações do governo, mas o Banco do Brasil hoje possui acionistas privados e sua responsabilidade social está limitada a regras de mercados que protegem esses acionistas minoritários”, afirma.
Reinvestimentos

O economista apontou como proposta a chamada “securitização” do setor bancário, uma forma
de garantir liquidez dos ativos para que os investidores assumam os riscos de seus investimentos e o crescimento econômico e social não seja comprometido. “Nos EUA, uma lei criada na época do governo Jimmy Carter obriga os bancos a reinvestirem seus ganhos nas mesmas comunidades e regiões onde eles captaram os recursos”, destaca. Ele disse ainda que é necessário a regulação do sistema financeiro para obrigar bancos e investidores a criarem contrapartidas sociais.
Cardim mostrou uma certa reserva em relação a proposta de estatização do setor financeiro. “É preciso saber que estatização é esta. Não adianta o controle estatal se não houver o controle público e social do estado. A regulamentação financeira, inclusive dos bancos públicos, é que é o debate fundamental”, conclui.