terça-feira, 10 de setembro de 2013

Candidatos a Presidentes deveriam se manifestar publicamente a favor ou contra o PL4330 que Precariza o Trabalho

Esta semana travei um debate com alguns amigos de trabalhos, guerreiros de militância social e politica e chegamos a conclusão de que alguns debates que estão na ordem do dia precisam de uma manifestação pública dos futuros candidatos a presidente do Brasil. Temas como o PL 4330 que Precariza e coloca o país em situação social calamitosa, tira direitos dos trabalhadores e por consequência a arrecadação da previdência social, do ministério do trabalho, da ciência e tecnologia uma vez que a qualidade e a remuneração dos empregos formais contribuem decisivamente para estes órgãos e por esta razão exatamente, não estão sendo enfrentados como deveria. Outra situação é o Leilão do Campo de Libra - vai haver leilão mesmo depois dos Petroleiros alertarem para a entrega do maior campo de exploração de Petróleo que o Brasil tem, com exploração estimada em bilhões de barris de petróleo. Temos um quadro eleitoral dinâmico e as nominatas já estão sendo feitas até o dia 4 de outubro próximo quando a justiça eleitoral determina como prazo final para desfiliações, filiações, trocas partidárias e criação de novos partidos. O Ministro do Trabalho ligado a Leonel Brizola vai a público defender os Patrões. O povo merece respeito - Dilma - Lula - Aécio Neves - Maria Silva - Eduardo Campos - entre outros precisam mostrar para os trabalhadores de que lado estão  

DEPOIS DE ESPIONAGEM DOS AMERICANOS - Petroleiros cobram do governo cancelamento do leilão de Libra


A FUP enviou nesta segunda-feira, dia 9, documento à presidente Dilma Rousseff e demais autoridades do país, cobrando a suspensão imediata do leilão de Libra. "Diante da gravidade das denúncias documentadas pela imprensa brasileira sobre a ação ilegal por parte do governo dos Estados Unidos para obter informações estratégicas da Petrobrás através de espionagem feita por sua Agência de Segurança Nacional (NSA), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta sua preocupação com a soberania nacional e faz um apelo ao governo brasileiro que suspenda imediatamente o leilão de Libra", ressalta o documento.

A solicitação foi enviada também ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, à presidente da Agência Nacional de Petróleo, Magda Chambriard, ao presidente da Câmara dos Deputados Federais, Henrique Eduardo Alves, ao presidente do Senado, Renan Calheiros, ao presidente do Superior Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, à presidente da Procuradoria Geral da República, Helenita Acioli, e ao presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes.

A FUP reitera no texto que "a invasão ao sistema de informações da Petrobrás está diretamente relacionada à espionagem feita pela NSA aos presidentes do Brasil e do México, que tiveram suas gravações telefônicas grampeadas e e-mails rastreados", destacando os interesses do governo norte-americano nas reservas de petróleo e gás desses países.

"Ao invadir a rede privada de informações da Petrobrás, o governo dos Estados Unidos e, consequentemente, as grandes corporações do país, se apoderam de dados confidenciais sobre tecnologias de ponta e mapeamento de reservas, entre outras informações estratégicas, colocando em risco projetos e estudos da maior empresa brasileira", ressalta a Federação.

"Não há dúvidas sobre as motivações comerciais na espionagem comandada pelo governo dos Estados Unidos e aliados, como a Inglaterra, cujas petrolíferas já se manifestaram interessadas nas reservas do pré-sal, e, particularmente, em Libra, que tem reservas que podem ultrapassar os 12 bilhões de barris de óleo, inicialmente estimados pela Agência Nacional de Petróleo, com base em estudos feitos pela própria Petrobrás", denuncia a FUP no documento enviado à presidente Dilma e demais autoridades.

"Sozinho, o campo de Libra equivale a mais de 80% de todas as reservas provadas da Petrobrás, descobertas ao longo de seus 60 anos de atuação", ressalta a FUP, explicando que em comparação "com as 50 nações que detêm as maiores reservas de petróleo do mundo, só o campo de Libra representa a 17ª colocação nesse ranking, ficando acima do México, da Noruega, da Argélia e de outros 30 países".

A Federação conclui o documento, cobrando a suspensão imediata do leilão de Libra. "Diante de todas as evidências de que espionagem do governo dos Estados Unidos tem caráter estritamente comercial e, consequentemente, privilegia as petrolíferas norte-americanas, torna-se urgente a suspensão imediata do leilão de Libra. Em nome dos trabalhadores petroleiros, a FUP espera que o governo brasileiro tome todas as providências necessárias para defender a Petrobrás e a soberania nacional".

Assembleias dos bancários nesta quarta votam greve a partir do dia 19


Os bancários de todo o país realizam assembleias nesta quarta-feira 12 para avaliar a proposta do Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, de rejeitar a proposta de 6,1% de reajuste apresentada pela Fenaban no dia 5 e aprovar a deflagração de greve a partir do dia 19. Além da Contraf-CUT, o Comando Nacional representa 10 federações e 143 sindicatos das bases onde trabalham cerca de 95% dos 490 mil bancários do país. 

Além de negar aumento real nos salários, pisos, PLR e todas as verbas salariais (os 6,1% apenas recompõem a inflação do período medida pelo INPC), a proposta da Fenaban ignora todas as reivindicações dos bancários sobre emprego, saúde e condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades. 

Veja aqui a proposta da Fenaban e o posicionamento do Comando.

"Somente os seis maiores bancos tiveram lucro líquido de R$ 29,6 bilhões no primeiro semestre, alcançando a maior rentabilidade do sistema financeiro internacional, graças principalmente ao aumento da produtividade dos bancários. Por isso consideramos a proposta, que não tem aumento real e desconsidera as demais reivindicações, como uma provocação dos bancos", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

"Apesar dos lucros, os bancos estão fechando postos de trabalho e piorando as condições de trabalho, com aumento das metas abusivas e do assédio moral, o que tem provocado uma verdadeira epidemia de adoecimentos na categoria. Por falta de investimento em segurança, também cresce o número de assaltos, sequestros e mortes. Mas os banqueiros se recusam a discutir esses problemas", acrescenta Cordeiro. 

"Com essa proposta, os bancos estão empurrando os bancários para a greve. Se é o que eles querem, é o que terão. Sabemos que somente uma forte mobilização da categoria em todo o país fará os bancos melhorarem a proposta. Por isso está Comando orientando os bancários a rejeitarem a proposta da Fenaban e aprovarem a greve a partir do dia 19", conclui o presidente da Contraf-CUT.

Calendário de luta

12 de setembro - Assembleias em todo o país para rejeitar a proposta e decretar greve por tempo indeterminado a partir do dia 19.

17 e 18 - Todos a Brasília para pressionar os deputados federais durante a audiência pública sobre o PL 4330 no plenário da Câmara.

18 - Assembleia organizativa para encaminhar a greve.

19 - Deflagração da greve nacional dos bancários por tempo indeterminado.

A proposta da Fenaban

Reajuste - 6,1% (inflação do período pelo INPC) sobre salários, pisos e todas as verbas salariais (auxílio-refeição, cesta-alimentação, auxílio-creche/babá etc.)

PLR - 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61 (o que significa reajuste de 6,1% sobre os valores da PLR do ano passado).

Parcela adicional da PLR - 2% do lucro líquido dividido linearmente a todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88.

Adiantamento emergencial - Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho - Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

Adoecimento de bancários - Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.

Inovações tecnológicas - Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.

As reivindicações dos bancários

Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)

PLR: três salários mais R$ 5.553,15.

Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).

Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.

Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

Confirmada audiência pública sobre PL 4330 na Câmara no dia 18

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), confirmou a realização de uma audiência pública na quarta-feira da próxima semana, dia 18, às 10h, no plenário da Casa, para discutir o Projeto de Lei (PL) 4330, do deputado Santo Mabel (PMDB-GO), que permite a terceirização em todas as áreas das empresas. 

O debate é resultado da criação de uma comissão geral da Câmara, anunciada por Henrique Alves na tarde da última quarta-feira, dia 4, durante reunião com representantes da CUT, demais centrais sindicais e deputados da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. 

A princípio, o presidente da Casa havia definido que o projeto seria votado diretamente no plenário, a partir de um requerimento de urgência de líderes partidários, mas após discussão com as entidades sindicais e parlamentes ficou decidido aprofundar as discussões para depois ser resolvida a forma de tramitação do PL 4330. 

A audiência contará com a participação de trabalhadores, empregadores e instituições de Direito, como o Ministério Público e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), e será organizado pelo presidente da CCJC da Câmara, deputado Décio Lima (PT-SC).

"A criação da comissão foi fruto da intensa mobilização dos trabalhadores, com forte participação dos bancários, contra a votação da PL 4330. Agora é fundamental que estejamos novamente presentes dentro e fora da Câmara para convencer o conjunto dos deputados para que o projeto seja arquivado, na medida em que precariza o trabalho e representa uma tentativa disfarçada de reforma trabalhista e sindical", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. 

Nova mobilização

A Contraf-CUT orienta os sindicatos e as federações de bancários a organizar delegações para a nova mobilização contra o PL 4330 no dia 18, em Brasília. "Embora não haja previsão de votação, precisamos acompanhar a audiência pública e mostrar toda a indignação dos trabalhadores diante desse projeto nocivo que somente atende aos interesses dos empresários, sobretudo dos bancos, enquanto prejudica os empregos e direitos da classe trabalhadora", destaca o secretário de Organização do Ramo Financeiro, Miguel Pereira.

Por que lutar contra o PL 4330

De acordo com um estudo de 2011 da CUT e do Dieese, o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas a mais por semana e ganha 27% a menos. A cada 10 acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados.

Caso seja aprovado como está, o PL ampliará ainda mais as condições precárias de trabalho e colocará em risco todos os contratados com carteira assinada, já que permitirá a terceirização sem limites, em qualquer setor da empresa. Nos bancos, isso poderá significa a terceirização de caixas e gerentes.

Pronto para ser votado em maio na CCJC da Câmara em caráter terminativo, o projeto recebeu aval do relator Arthur Maia (PMDB-BA). Porém, a decisão foi adiada desde então por força da pressão da CUT e das demais centrais. 

Maioria dos ministros do TST contra o PL 4330

Em uma iniciativa histórica, 19 dos 26 ministros do TST enviaram carta ao presidente da CCJC da Câmara no dia 27 de agosto, alertando para os riscos do projeto que, segundo eles, aprofunda, generaliza e descontrola a terceirização no país.

Os ministros afirmam que a aprovação do PL 4330 "negligencia e abandona os limites à terceirização já sedimentados no Direito brasileiro". A carta destaca que o PL 4330 causará grande prejuízo aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no país, com a provável "migração massiva de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais". 

Os magistrados ressaltam os prejuízos fiscais, previdenciários e à saúde pública do país e afirmam: "como se sabe que os direitos e garantias dos trabalhadores terceirizados são manifestamente inferiores aos dos empregados efetivos, o resultado será o profundo e rápido rebaixamento do valor social do trabalho na vida econômica e social brasileira, envolvendo potencialmente milhões de pessoas". Para eles, "com o decréscimo significativo da renda do trabalho ficará comprometida a pujança do mercado interno no Brasil". 

Anamatra divulga carta aberta contra o PL 4330

Entidade que representa mais de 3.500 juízes do Trabalho no país, a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho) conclamou partidos políticos e parlamentares a rejeitarem o PL 4330, em carta aberta publicada na segunda-feira, dia 2. 

No documento, a entidade afirma que a "pretexto de regulamentar a terceirização no Brasil, na verdade expande essa prática ruinosa e precarizante para todas as atividades econômicas, com risco de causar sérios danos aos trabalhadores brasileiros, caso aprovado, pela ruptura da rede da proteção trabalhista que o constituinte consolidou em 1988". 

Para a Anamatra, entre os principais problemas do projeto estão a liberação da terceirização na atividade-fim da empresa e a ausência da responsabilidade solidária entre as empresas terceirizadas e contratante. Pontos que a CUT também condena. 

Segundo a entidade, a terceirização é usada pelas empresas para economizar em mão de obra, mas que isso traz custos sociais para o país: "(a tercerirização) constitui manobra econômica destinada a reduzir custos de pessoal na empresa, pelo rebaixamento de salários e de encargos sociais, que tem trazido uma elevada conta para o país, inclusive no que se refere aos acidentes de trabalho, uma vez que em determinados segmentos importantes da atividade econômica os índices de infortúnios são significativamente mais elevados". 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

TST condena projeto da terceirização; REDE GLOBO, BANDEIRANTES, RECORD, REDE TV, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADÃO NADA FALAM! POR QUE? LEIA E VEJA VOCÊ MESMO!!!

Publicado em 2 de setembro de 2013 às 20:50

Projeto de lei de Sandro Mabel (PMDB-GO) libera a terceirização nas empresas, até quarteirização
Umberto: Ministros do TST condenam o PL 4330 e a mídia silencia
Numa decisão histórica, 19 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) redigiram um parecer que condena em termos duros e enfáticos o Projeto de Lei 4330/2004, que escancara a terceirização e abre caminho a um dramático retrocesso na legislação e nas relações trabalhistas do Brasil, comprometendo o mercado interno, a arrecadação tributária, o SUS e o desenvolvimento nacional.
por Umberto Martins*, para o Portal Vermelho, sugestão de Julio Cesar Macedo Amorim
No dia 27 de agosto, os ministros encaminharam ofício à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmera Federal anunciando a posição e denunciando o risco de “gravíssima lesão de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no País” e redução do “valor social do trabalho”.
Apesar da relevância do tema e da inegável autoridade do tribunal, a mídia hegemônica não se interessou pelo fato, que é um petardo contra o PL 4330, do deputado Sandro Mabel, um capitalista (ou empresário, para quem prefere o eufemismo) de Goiás. O comportamento da mídia não surpreende, mas o silêncio sepulcral diz muito sobre o caráter de classe daquilo que antigamente costumávamos chamar de imprensa burguesa, cujos proprietários têm interesse direto na precarização do trabalho e foram os que mais choraram o veto do ex-presidente Lula à famosa Emenda 3.
Terceirização é um estupro
A terceirização é “um estupro da classe trabalhadora”, conforme a indignada e justa definição do presidente do Sindicato Nacional dos Marítimos (Sindmar) e vice-presidente da CTB, Severino Almeida. É um instrumento do capital, em seu afã insaciável de maximizar os lucros, para eliminar direitos, reduzir salários, dividir as categorias e enfraquecer os sindicatos.
Estudo recente do Dieese e da CUT mostra que o terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas semanais a mais e ganha 27% menos do assalariado contratado diretamente pela empresa. Ou seja, a terceirização, que integra a ofensiva neoliberal do capitalismo, propicia um aumento dramático da taxa de exploração da classe trabalhadora, a taxa de mais valia pesquisada por Karl Marx.
O pretexto para escancarar a terceirização é a busca de maior competitividade e produtividade do trabalho, que na concepção dos capitalistas se faz depreciando o valor da força de trabalho. Mas os defensores do projeto são capazes de jurar de cara limpa e pés juntos que querem proteger seus funcionários. Haja cinismo.
Um pronunciamento vigoroso
A Justiça do Trabalho nem sempre favoreceu os interesses dos assalariados, mas o pronunciamento dos 19 ministros do TST sobre o PL 4330 revela muito mais firmeza, ciência, sabedoria e coragem do que as próprias centrais sindicais e alguns líderes de partidos políticos que dizem representar a classe trabalhadora, mas parecem meio perdidos nas brumas ilusórias da conciliação de classes.
O movimento sindical luta para impedir a aprovação do monstrengo capitalista construído por Mabel. A campanha nacional por sua rejeição integra a Pauta Trabalhista propagada nas manifestações nacionais realizadas nos dias 11 de julho, 6 de agosto e no último dia 30.
Nesta terça-feira, 3, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) promove atos em vários aeroportos do país alertando o povo brasileiro para a necessidade de ampliar a mobilização e luta contra a proposta.
Reproduzo abaixo a íntegra do ofício enviado à CCJC para que os leitores e leitoras façam seu próprio julgamento, reflitam sobre os riscos embutidos na PL do capitalista Mabel e contribuam para estabelecer a verdade dos fatos e desmascarar as reais intenções do autor, da CNI e outras entidades patronais que fazem forte lobby no Congresso pela aprovação do projeto. O documento dos ministros é esclarecedor e merece amplo apoio e propaganda. Ajude a divulgá-lo e a enfrentar a conspiração do silêncio da mídia burguesa.
Brasília, 27 de agosto de 2013
Excelentíssimo Senhor deputado Décio Lima
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
A sociedade civil, por meio de suas instituições, e os órgãos e instituições do Estado, especializados no exame das questões e matérias trabalhistas, foram chamados a opinar sobre o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que trata da terceirização no Direito brasileiro.
Em vista desse chamamento, os Ministros do Tribunal Superior do Trabalho, infra-assinados, com a experiência de várias décadas na análise de milhares de processos relativos à terceirização trabalhista, vêm, respeitosamente, apresentar suas ponderações acerca do referido Projeto de Lei:
I. O PL autoriza a generalização plena e irrefreável da terceirização na economia e na sociedade brasileiras, no âmbito privado e no âmbito público, podendo atingir quaisquer segmentos econômicos ou profissionais, quaisquer atividades ou funções, desde que a empresa terceirizada seja especializada.
II. O PL negligencia e abandona os limites à terceirização já sedimentados no Direito brasileiro, que consagra a terceirização em quatro hipóteses:
1- Contratação de trabalhadores por empresa de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.06.1974);
2- Contratação de serviços de vigilância (Lei n 7.102, de 20.06.1983);
3- Contratação de serviços de conservação e limpeza;
4- Contratação de serviços especializados ligados a atividades-meio do tomador, desde que inexista a personalidade e a subordinação direta;
III. A diretriz acolhida pelo PL nº 4.330-A/2004, ao permitir a generalização da terceirização para toda a economia e a sociedade, certamente provocará gravíssima lesão social de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no País, com a potencialidade de provocar a migração massiva de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais.
Neste sentido, o Projeto de Lei esvazia o conceito constitucional e legal de categoria, permitindo transformar a grande maioria de trabalhadores simplesmente em ´prestadores de serviços´ e não mais ´bancários´, ´metalúrgicos´, ´comerciários´, etc.
Como se sabe que os direitos e garantias dos trabalhadores terceirizados são manifestamente inferiores aos dos empregados efetivos, principalmente pelos níveis de remuneração e contratação significativamente mais modestos, o resultado será o profundo e rápido rebaixamento do valor social do trabalho na vida econômica e social brasileira, envolvendo potencialmente milhões de pessoas.
IV. O rebaixamento dramático da remuneração contratual de milhões de concidadãos, além de comprometer o bem estar individual e social de seres humanos e famílias brasileiras, afetará fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e de consumo, comprometendo um dos principais elementos de destaque no desenvolvimento do País. Com o decréscimo significativo da renda do trabalho ficará comprometida a pujança do mercado interno no Brasil.
V. Essa redução geral e grave da renda do trabalhador brasileiro – injustificável, a todos os títulos – irá provocar também, obviamente, severo problema fiscal para o Estado, ao diminuir, de modo substantivo, a arrecadação previdenciária e tributária no Brasil.
A repercussão fiscal negativa será acentuada pelo fato de o PL provocar o esvaziamento, via terceirização potencializada, das grandes empresas brasileiras, que irão transferir seus antigos empregados para milhares de pequenas e médias empresas – todas especializadas, naturalmente -, que serão as agentes do novo processo de terceirização generalizado.
Esvaziadas de trabalhadores as grandes empresas – responsáveis por parte relevante da arrecadação tributária no Brasil -, o déficit fiscal tornar-se-á também incontrolável e dramático, já que se sabe que as micro, pequenas e médias empresas possuem muito mais proteções e incentivos fiscais do que as grandes empresas. A perda fiscal do Estado brasileiro será, consequentemente, por mais uma razão, também impressionante. Dessa maneira, a política trabalhista extremada proposta pelo PL 4.330-A/2004, aprofundando, generalizando e descontrolando a terceirização no País, não apenas reduzirá acentuadamente a renda de dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros, como também reduzirá, de maneira inapelável, a arrecadação previdenciária e fiscal da União no País.
VI. A generalização e o aprofundamento da terceirização trabalhista, estimulados pelo Projeto de Lei, provocarão também sobrecarga adicional e significativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), já fortemente sobrecarregado. É que os trabalhadores terceirizados são vítimas de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais/profissionais em proporção muito superior aos empregados efetivos das empresas tomadoras de serviços. Com a explosão da terceirização – caso aprovado o PL nº 4.330-A/2004 -, automaticamente irão se multiplicar as demandas perante o SUS e o INSS.
São essas as ponderações que apresentamos a Vossa Excelência a respeito do Projeto de Lei nº 4.330-A/2004, que trata da ´Terceirização’
Respeitosamente,
Seguem as assinaturas dos ministros Antonio José de Barros Levenhagen; João Oreste Dalazen; Emmanoel Pereira; Lelio Bentes Corrêas; Aloysio Silva Corrêa da Veiga; Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; Alberto Luiz Bresciane de Fontan Pereira; Maria de Assis Calsing; Fernando Eizo Ono; Marcio Eurico Vitral Amaro; Walmir Oliveira da Costa; Maurício Godinho Delgado; Kátia Magalhães Arruda; Augusto Cesar Leite de Carvalho; José Roberto Freire Pimenta; Delaílde Alves Miranda Arantes; Hugo Carlos Sheurmann; Alexandre de Souza Agra Belmonte e Claudio Mascarenhas Brandão.
*Umberto Martins é jornalista e assessor da Presidência da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

O dia em que a Globo piscou

Autor: 
 
Coluna Econômica
Na sexta-feira passada, as Organizações Globo surpreenderam o país com uma autocrítica de seu apoio à ditadura militar.
Soou artificial.
Um dia antes, manifestantes jogaram merda em sua sede, em São Paulo. Nas redes sociais, com exceção da revista Veja, não existe organização capaz de despertar tanto amor e ódio.
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Para entender essa demonstração de fraqueza da Globo, é preciso analisar o atual estágio da mídia brasileira.
O mercado da Internet está sendo disputado por três grupos: a mídia convencional, as empresas de telefonia e as grandes redes sociais, como Google e Facebook.
Antes, mídia vendia publicidade; telefonia vendia pulsos; redes sociais vendiam sonhos. Agora, as redes sociais vendem publicidade, ligações telefônicas e filmes sob demanda. Nos EUA, já dominam completamente a publicidade nacional (dos grandes produtos) e os classificados.
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No ano passado, o Google tornou-se o segundo faturamento em publicidade do país, atrás apenas da Globo, e à frente da Abril e demais grupos de mídia, com R$ 2,5 bilhões. Este ano, deverá crescer R$ 1 bi.
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Tanto grupos da velha mídia como empresas de telefonia têm razão ao pleitear isonomia com grupos de fora – que não pagam impostos no Brasil nem contribuições às quais são obrigadas TVs a cabo.
Para estabelecer a isonomia, haveria a necessidade de um novo ordenamento jurídico. O caminho seria a Lei dos Meios – proposta há anos pelo então Secretário de Comunicações do governo federal Franklin Martins.
No entanto, demonizou-se a Lei dos Meios, como se fosse um instrumento para calar a mídia. Agora, necessita-se de uma mudança legal que defina os novos marcos das comunicações. E a Globo quedou-se só.
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Dias atrás, um interlocutor de João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – ouviu dele manifestação de surpresa com o ódio que a empresa desperta, o desassossego com a crise dos aliados - seus três maiores aliados, Folha, Abril e Estadão, perdem fôlego a cada dia que passa -, o desconforto com a competição das redes sociais.
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De fato, as empresas de telecomunicações contam com o lobby escancarado do Ministro Paulo Bernardo.
Já a Globo enfrenta o momento mais delicado de sua história sem dispor do antigo poder de definir as leis a seu talante e estando cada vez mais isolada.
É por aí que se entendem as mudanças.
Nos últimos tempos, a Globo trocou seu lobista em Brasília – Evandro Guimarães, competente porém herdeiro dos tempos do “eu sou o senhor do universo”- por outro, mais político. Nomeou para cargo de direção uma executiva incumbida de começar a enxugar a estrutura de custos para adaptar-se aos novos tempos.
Provavelmente seu noticiário começará a se tornar menos tendencioso e poderá até a voltar a praticar jornalismo de primeira, crítico porém plural. Ouvintes da CBN, telespectadores do Jornal Nacional e da Globo News voltarão a saborear comentaristas equilibrados, com bom senso, criticando, sim, mas sem prever mais o fim do mundo e a invasão do país pelas forças de Fidel Castro.
Seja qual for a mudança, continuará poderosa. Mas os tempos de poder absoluto não mais voltarão. Nos próximos anos, terá que fazer algo impensável para quem se considerava um império: sair do pedestal, legitimar-se novamente, montar redes de aliados.

domingo, 1 de setembro de 2013

Brasil: Investimentos do Ministério da Defesa crescem 33% em 2013


Marina Dutra
Do Contas Abertas
O Ministério da Defesa é líder em investimentos entre os órgãos federais. Até julho, a Pasta investiu R$ 5 bilhões, 33% a mais que o aplicado no mesmo período de 2012 - R$ 3,7 bilhões. O total de 2012 já está atualizado pela inflação (valor constante). Se considerarmos os valores correntes dos últimos anos, o total investido até o sétimo mês de 2013 já é 36% maior que a média dos investimentos anuais entre 2002 e 2012, que é de R$ 3,7 bilhões.
Do total investido pela Defesa, R$ 4,2 bilhões foram destinados ao programa “Política Nacional de Defesa”. A ação orçamentária “Desenvolvimento de Cargueiro Tático Militar de 10 a 20 Toneladas (Projeto KC-X)” foi a que mais recebeu recursos até julho, cerca de R$ 1 bilhão.
 A Embraer desenvolve o KC-390 sob contrato com a FAB (Força Aérea Brasileira). No fim de março, a empresa concluiu a revisão crítica de projeto, para iniciar a fase de produção do protótipo. A previsão é que o primeiro voo teste da aeronave ocorra no segundo semestre de 2014.
O KC-390 é um projeto de aeronave para transporte tático/logístico e reabastecimento em voo que estabelece um novo padrão para o transporte militar médio. O projeto está sendo desenvolvido para atender aos requisitos operacionais da FAB. Desde 2009, R$ 1,2 bilhões já foram investidos na iniciativa, em valores correntes.
O Ministério da Defesa investiu ainda R$ 429 milhões na ação de “Implantação de Estaleiro e Base Naval para Construção e Manutenção de Submarinos Convencionais Nucleares”. Em 2008, foi celebrada uma parceria entre o Governo do Brasil e o da França para a transferência de tecnologia e prestação de serviços técnicos especializados concernentes ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos, destinados a capacitar a Marinha do Brasil em projeto e construção de submarinos convencionais e nucleares, além da construção de estaleiro e da base de submarinos. Desde 2009, R$ 3,7 bilhões, em valores correntes, foram aplicados na iniciativa.
Outros R$ 445,5 milhões foram investidos na ação de “Construção de Submarinos Convencionais”, que prevê a aquisição de pacotes de materiais para quatro submarinos convencionais S-BR, respectivos sistemas e tecnologia de construção, além da aquisição de torpedos, despistadores de torpedo e respectivos sistemas logísticos. O montante aplicado engloba também as demais despesas que contribuam diretamente para o desenvolvimento e a execução do projeto. Foram aplicados R$ 2,3 bilhões no projeto desde 2009.
A Defesa investiu R$ 360 milhões na iniciativa de “ Aquisição de Helicópteros de Médio Porte de Emprego Geral (Projeto H-XBR)”. A ação prevê a aquisição de 50 helicópteros de médio porte de emprego geral, conforme contrato a ser firmado entre o Comando da Aeronáutica e o consórcio formando pelas empresas Eurocopter (francesa) e Helicópteros do Brasil (Helibrás). As aeronaves adquiridas terão a seguinte destinação: 18 para a Força Aérea Brasileira, 16 para o Exército Brasileiro e 16 para a Marinha do Brasil. A Defesa já investiu R$ 1,4 bilhão na iniciativa, desde 2009.
Confira aqui série histórica dos investimentos.-
Importância dos investimentos
Para o professor adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e especialista em política de defesa, Alcides Costa Vaz, os investimentos nas Forças Armadas são necessários para a modernização do aparato militar. “Nós temos hoje uma ameaça de ataque cibernético que requer equipamentos e tecnologia distinta dos equipamentos convencionais de segurança, por exemplo. São investimentos caros”, explica o professor.
Outro aspecto levantado por Vaz é o fato dos investimentos beneficiarem outras áreas não militares. “O desenvolvimento de tecnologias militares tem também benefícios para outros campos de destinação civis. A maior parte da tecnologia militar é de uso dual”, completa.
Em resposta aos críticos que defendem que o país não precisa investir em defesa, pois a nação não sofre ameaças de outros países, o professor é enfático. “As ameaças hoje são globais. Temos todo um patrimônio natural, recursos de biodiversidade e um parque industrial a proteger”, defende.

Gastos com seguro-desemprego crescem R$ 846 milhões em 2013


Dyelle Menezes
Do Contas Abertas
A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 6% em junho, após registrar 5,8% no mês anterior, segundo indicou a Pesquisa Mensal de Emprego. O índice também representou crescimento em relação à junho de 2012,  quando a taxa ficou em 5,9%.
A taxa influi diretamente no gastos da União com o benefício do seguro-desemprego. Apesar de no ano passado os recursos do benefício terem apresentado redução pela primeira vez desde 2001, os valores voltaram a crescer no primeiro semestre de 2013.
Entre janeiro e junho deste ano, R$ 14,4 bilhões foram desembolsados para o benefício. O montante é R$ 846 milhões superior ao aplicado no mesmo período do ano passado. O valor pago em seguro-desemprego nos seis primeiros meses do ano também é R$ 20,9 milhões maior do que o verificado em 2011.
Apenas no mês de março o valor pago para desempregados foi menor do que no mesmo período de 2012. O montante foi de R$ 2,3 bilhões no terceiro mês do ano passado e de R$ 2,1 bilhões em março de 2013. O mês de junho, por outro lado, bateu recorde para o período, tendo sido desembolsados R$ 2,9 bilhões para o pagamento de seguro-desemprego.
Os valores utilizados pelo Contas Abertas para realizar o levantamento são constantes, ou seja, já está descontado o crescimento do salário mínimo no período.
Veja a tabela aqui.
No final de julho, o Ministério do Trabalho divulgou os números de junho do emprego formal, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado do mês, de 126.836 novos contratos, foi pouco melhor que o de maio, de 120.440, mas o total do semestre, 826.168, ficou 21,2% abaixo do computado nos primeiros seis meses de 2012. Foi o pior balanço depois da primeira metade de 2009, quando o país começava a sair da recessão iniciada nos meses finais de 2008.
Além disso, quase metade dos novos empregos de junho, 59.019, foi aberta no setor rural, ainda como efeito do bom desempenho da agricultura, de longe o setor mais competitivo da economia brasileira e o mais resistente aos problemas internos e externos.
A massa de renda real habitualmente recebida ficou estável de um mês para outro e cresceu 1,5% na comparação com junho de 2012. Mas o crescimento tem sido afetado sensivelmente pela inflação. A comparação da média do primeiro semestre deste ano com o do ano anterior mostra um aumento de 2,7%.
Dados de entidades da indústria também têm mostrado a deterioração do emprego no setor. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os brasileiros estão preocupados com a inflação e o desemprego. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) apontou que a expectativa em relação ao desemprego caiu 2% frente a junho e 8,1% na comparação com julho de 2012. O índice ficou em 115,9 pontos. "O movimento de baixa indica pessimismo do consumidor quanto à capacidade da economia brasileira continuar gerando novos postos de trabalho nos próximos seis meses", mostra a CNI.
Manter baixo o nível de desemprego é uma questão importante para o governo Dilma Rousseff, que o aponta como ponto positivo diante das poucas vitórias econômicas apresentadas na gestão.
No ano passado, a diminuição dos gastos nessa rubrica foi relacionada à implantação da obrigatoriedade de cursos de qualificação para os brasileiros que fazem o pedido de seguro-desemprego pela terceira vez em um intervalo de dez anos. O beneficiário que não quiser realizar o curso perde o direito ao auxílio. Em todo o país, foram quase 80 mil matrículas efetivadas em 2012.
Os profissionais que se encaixam nessa obrigatoriedade são encaminhados ao “Bolsa Formação Trabalhador”. O curso é parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e pode ser realizado em qualquer município onde haja Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). Em uma das poucas exceções abertas pela legislação, o trabalhador consegue obter o seguro-desemprego pela terceira vez, sem se matricular no Pronatec, quando o PAT ainda não existe na cidade.
Fraudes
Apesar das medidas para contenção dos gastos com seguro-desemprego, o Tribunal de Contas da União (TCU) verificou que concessões indevidas da ordem de R$ 55 milhões foram realizadas por meio pagamento do benefício. “Se a amostra fosse extrapolada para um período de um ano, os pagamentos irregulares atingiriam o montante de R$ 132 milhões”, aponta relatório da Corte.
Entre os principais achados da auditoria estão o pagamento de parcelas do seguro-desemprego após o reemprego detectado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), acumulação de parcelas do seguro-desemprego com benefícios da Previdência Social, acumulação de parcelas do benefício com remuneração no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape) e a acumulação de parcelas do seguro-desemprego e remuneração declarada na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).
Além disso, o Tribunal também constatou a acumulação de parcelas do benefício com remuneração na situação de contribuinte individual, pela Guia da Previdência Social (GPS), parcelas pagas a indivíduo cadastrado no Sistema Informatizado de Controle de Óbito (Sisobi), atraso no pagamento da parcela - em razão do registro do Programa de Integração Social (PIS) não ser o ativo - e inexistência de sistema ou módulo de gerenciamento de risco.
O TCU determinou à Secretaria das Políticas Públicas de Emprego, Trabalho e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego medidas para adequar as verificações feitas pelo sistema seguro-desemprego às exigências legais, entre elas, a implementação de controles para evitar a ocorrência de erros e fraudes no pagamento do benefício, o uso de sistema ou módulo de gerenciamento de risco como boa prática de segurança da informação, além da implantação de melhorias relativas à consistência das informações gerenciadas.
Números ainda altos
Em uma série histórica de 2001 e 2012 é possível perceber como os valores pagos ao seguro-desemprego sofreram crescimento significativo. Em 2001, os gastos com o benefício atingiram R$ 18,2 bilhões, valor 35,2% menor do que os R$ 28 bilhões desembolsados no ano passado, mesmo com a queda constante da taxa de desemprego desde então.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as principais razões que respondem pelo aumento dos gastos federais com o seguro-desemprego no longo prazo são os requisitos para recebimento do benefício, o crescimento e a rotatividade do mercado de trabalho e o aumento do salário mínimo. (Confira tabela).

Apenas 18% dos recursos para programa de promoção e acesso à cultura foram utilizados


Marina Dutra e Dyelle Menezes
Do Contas Abertas
No dia 22 de agosto comemora-se o Dia do Folclore Brasileiro, data criada pelo Congresso Nacional em 1965, para preservar e divulgar as histórias e personagens da cultura brasileira. Em todo o país, a data é comemorada com celebrações, brincadeiras e festas folclóricas. Ao se analisar o orçamento para a preservação do folclore, no entanto, não há motivo para comemorações.
Entre os programas orçamentários do governo federal, há um específico para iniciativas de promoção, fomento e preservação da cultura do país, o “Cultura: Preservação, Promoção e Acesso”. A União desembolsou R$ 539,5 milhões para as ações da rubrica até o dia 18 de agosto, incluindo os restos a pagar pagos, valor que representa apenas 18% dos R$ 3 bilhões autorizados para o exercício.
O valor, embora pouco expressivo, ainda é 63% maior que o total aplicado no programa durante todo o ano passado - R$ 331,7 milhões. Em 2012, apenas 14% dos R$ 2,4 bilhões liberados para o programa foram quitados no exercício.
Entre as ações do programa, há três iniciativas diretamente relacionadas ao Folclore: “Promoção e Fomento à Cultura Brasileira”, “ Preservação de Bens e Acervos Culturais” e “Preservação do Patrimônio Cultural das Cidades Históricas”. Juntas, as ações possuem dotação autorizada de R$ 958,6 milhões, mas apenas R$ 44,8 milhões foram pagos até agora, menos de 5% do total liberado.
Para a mais expressiva das ações, a “Promoção e Fomento à Cultura Brasileira”, de autonomia do Ministério da Cultura, foram destinados apenas R$ 28,6 milhões, ou 6%, dos R$ 442,7 milhões autorizados. A iniciativa prevê a contribuição para a criação, produção, divulgação e circulação do produto cultural brasileiro, proporcionando a fruição e o acesso amplo da população aos bens culturais, em suas diversas áreas e segmentos e nos seus mais diversos aspectos, manifestações e linguagens.
A iniciativa de “Preservação de Bens e Acervos Culturais”, recebeu pouco mais de 2% dos R$ 184,5 milhões autorizados para 2013. Até 18 de agosto, apenas R$ 4,6 milhões haviam sido pagos pelo Ministério da Cultura para a ação. A finalidade da rubrica é a realização de projetos e atividades que contribuam direta ou indiretamente para a preservação de bens e acervos culturais, incluindo o desenvolvimento de estudos, pesquisas, normas, monitoramento, fiscalização e acompanhamento, além de eventos que contribuam para preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Por fim, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), destinou apenas R$ 11,5 milhões, dos R$ 331,3 milhões liberados pelo governo na ação “Preservação do Patrimônio Cultural das Cidades Históricas”. O valor representa 3% do total liberado. A iniciativa tem como objetivo o planejamento, desenvolvimento, fomento, coordenação, monitoramento e avaliação de ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro pactuadas, prioritariamente, por meio dos acordos de preservação do patrimônio cultural, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico.
De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Cultura, do total autorizado para o programa, R$ 194,6 milhões foram contingenciados pelo Poder Executivo e R$ 721,0 milhões referem-se a emendas de parlamentares. Diminuindo-se esses recursos, a dotação específica do programa cai para R$ 2,136 bilhões.
A Pasta destacou que desse recursos restante, foram empenhados R$ 1,4 bilhão, correspondendo à 66,13% do total. “Passados dois terços do ano, o esperado de execução seria 66,67% do total dos recursos disponíveis. No entanto, a Lei Orçamentária para o exercício de 2013 foi aprovada apenas em abril”, aponta a nota, referindo-se, naturalmente, apenas aos empenhos orçamentários que representam reserva de recursos para posterior pagamento.
Além disso, o órgão afirmou que dos recursos liberados, R$ 300,0 milhões referem-se ao Programa de Aceleração do Crescimento – no que tange à preservação de Cidades Históricas que, cujos projetos foram definidos, em conjunto com a Presidência da República, nesse mês de agosto.
Cidades históricas
No início da semana, a presidente Dilma Rousseff anunciou R$ 1,6 bilhão para obras de restauração que serão contempladas no PAC Cidades Históricas ao longo dos próximos três anos. Os recursos serão destinados a 44 cidades de 20 estados brasileiros.
Além disso, outros R$ 300 milhões serão utilizados como linha de crédito para o financiamento de restauro e obras em imóveis privados localizados em áreas tombadas. O Programa do Governo Federal envolve, em sua formulação e implementação, os Ministérios da Cultura e do Planejamento, além do IPHAN.

TCU constata irregularidades em obra para controle de inundação em Teresópolis


Marina Dutra
Do Contas Abertas
Enchentes e deslizamentos de terra são problemas enfrentados anualmente pelos moradores da Região Serrana do Rio de Janeiro. Em 2011, quase mil pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas que atingiram principalmente as cidades de Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio. A tragédia foi considerada uma das maiores do país, e infelizmente se repetiu em menores proporções nos anos seguintes.
O governo tomou diversas medidas para conter os desastres, como a previsão de construção de obras para conter as inundações. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União, realizada entre fevereiro e março deste ano, entretanto, verificou diversas irregularidades em uma dessas obras, a de “controle de inundação, drenagem e recuperação das bacias dos rios Príncipe, Imbuí e Paquequer em Teresópolis”.
 Na auditoria, no âmbito do Fiscobras 2013, o TCU detectou um sobrepreço de R$ 17,7 milhões no valor do contrato firmado com a Dimensional Engenharia, que corresponde a 11% do total orçado, de R$ 160,3 milhões. Segundo o TCU, as composições empregadas no orçamento não apresentam correspondência no (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e além disso, possuem valores muito superiores aos referenciais adotados pela equipe do órgão fiscalizador.
De acordo com o tribunal, embora os indícios de irregularidades citados se classifiquem como IGP (indícios de irregularidades graves com recomendação de paralisação), o achado da auditoria foi classificado como IGC (indícios de irregularidades graves com recomendação de continuidade). Segundo o órgão, a recomendação para a continuidade das obras se deve ao fato de que “o atraso na execução do empreendimento poderá penalizar sobremaneira a população a ser beneficiada, a qual se encontra localizada em área de risco”.
No entanto, o tribunal solicitou proposta de oitiva do órgão e da empresa contratada sobre o indício de sobrepreço apontado, assim como a audiência dos responsáveis.
O TCU também detectou indícios de restrição ao caráter competitivo da licitação para a obra, como a utilização de critérios inadequados de qualificação técnica, no não parcelamento do objeto e na vedação à participação de consórcios. A contestação foi classificada como IGC, pois, para o TCU, “a obrigação de rescisão contratual e abertura de nova licitação, e, por conseguinte, o atraso na execução do empreendimento, poderia ser solução mais gravosa para a população local”. O órgão propôs que os responsáveis pelas irregularidades sejam ouvidos em audiência.
Por fim, o TCU descobriu que determinados serviços, com alta materialidade financeira, não atendiam as determinações contidas na lei de licitações, acerca da suficiência do projeto básico para fins de subsídio ao processo licitatório.
“Considerando que o achado de auditoria relativo ao sobrepreço decorrente de preços excessivos enseja uma série de ações mitigadoras que perpassam pela adequação dos itens contidos no projeto deficiente, propôs-se a classificação da irregularidade como Outras Irregularidades (OI), com proposta de oitiva do órgão sobre o teor dos apontamentos feitos”, completa o TCU.

Carrinho de compras: MRE gasta R$ 16,4 mil em espumantes

01/09/2013
Dyelle Menezes
Do Contas Abertas
Apesar de o clima no Ministério das Relações Exteriores (MRE) não estar para comemorações, depois da crise que resultou na saída de Antonio Patriota do comando da Pasta, o cerimonial do MRE reservou R$ 16,4 mil para a compra de 500 garrafas de espumante brut.
As garrafas das bebidas alcoólicas ainda não serão de qualquer tipo. O MRE pediu que os espumantes fossem produzidos pelo método champenoise e que tenham recebido ao menos quatro premiações internacionais, relativas a concursos realizados a partir de 2008.
Além disso, o espumante deverá ter sido amadurecido em contato com leveduras, por período mínimo de 12 meses. A safra do espumante deve ser posterior a 2008, no caso do produto não ser safrado, e a bebida deve estar em excelentes condições de consumo.
Ao contrário do MRE que decidiu investir em bebidas, o Gabinete do Comandante da Aeronáutica vai passar a semana com regalias alimentícias. O órgão empenhou R$ 34,1 mil para a compra de bolos, pães, doces e salgados.  A compra inclui 50 tortas e 30 bolos caseiros. O valor também será utilizado para adquirir 80 croissants de recheios diversos, 1.000 docinho finos de 15g a unidade, 100 petits four de diversos sabores, 40 rocamboles de massa de pão de ló e recheio de doce de leite e 500 mini sonhos.
Mas as delícias para o gabinete do comandante da FAB não acabaram por aí. Também estão na lista de compras 630 centos de salgados diversos do tipo folheados, bruschetas, vol-au-vent, fritos, assados e canapés. Outras 50 tortas doces e 100 tortas salgadas fecham a compra da Aeronáutica.
O Senado Federal também deve ter motivos para comemorar nesta semana. A Casa vai desembolsar R$ 716,00 para a compra de quatro placas comemorativas de metal dourado, com letras de baixo relevo e brasão tridimensional. Os acessórios também contarão com estojo em MFP ou material similar, revestido de veludo na cor azul marinho.
O Senado ainda vai gastar R$ 4,2 milhões para a compra de estações de trabalho para microcomputador. Serão 1.454 estações de trabalho com monitor, com garantia de fábrica de 12 meses.
Já a Secretaria do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai pagar R$ 313,2 mil para a contratação de empresa para treinamento e aperfeiçoamento. O curso, denominado “Curso Presencial – O novo líder”, será realizado no auditório do Tribunal, em Brasília, nos dias 9, 10, 11 e 12 de setembro. Com duas turmas, o evento contará com 170 vagas e terá carga horária de 32 horas.
O TJDFT, por sua vez, vai gastar R$ 21,5 mil para adquirir 1.000 unidades de dispositivos para armazenamento de certificados digitais do tipo “token”, padrão USB. A Presidência da República também investiu em memória do tipo “token”. O órgão deve gastar R$ 17,7 mil para a aquisição de 900 dispositivos USB para armazenamento de chaves criptográficas.
A compra mais controversa da semana foi feita pela Câmara dos Deputados. Apesar de Brasília estar na época do ano em que enfrenta seca, a Casa empenhou R$ 25 mil para a compra de 10 desumidificadores de ar. O órgão também vai gastar R$ 225,6 mil para a aquisição de 300 poltronas giratórias. Os novos móveis possuem espaldar médio e sem braços. O deputado Donadon, assim que possível, poderá sentar em uma delas.
Confira aqui as notas de empenho da semana.
*Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União e que o eventual cancelamento de tais empenhos certamente não ajudaria, por exemplo, na manutenção do superávit do governo ou em uma redução significativa de despesas. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, despesas curiosas.