sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quilombolas enfrentam falta de estrutura e batalhas jurídicas

A titulação das terras quilombolas é um processo longo por natureza. A demora é agravada por fatores diversos, sendo que os principais são as dificuldades estruturais do Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e a resistência dos que se sentem prejudicados, que buscam na Justiça os meios de postergar ou impedir a desapropriação das terras para entregá-las aos seus ocupantes mais antigos.

Para que uma região seja reconhecida como terra quilombola, é preciso que a própria comunidade se autodenomine como tal. A convenção 169 da OIT, que trata dos direitos dos povos indígenas e tribais, da qual o Brasil é signatário, determina que o reconhecimento destes povos se faça pela autodefinição, ou seja, é a própria comunidade que tem que se entender como quilombola e partir em busca do reconhecimento oficial. Esta chancela é oferecida por uma certidão emitida pela Fundação Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura que trata da preservação e fomento da cultura afro-brasileira. Este documento é o início do processo e os fazendeiros e empresários interessados no território contestam sua validade, já que, na opinião destes grupos, não pode ter valor legal algo que se baseie na autodefinição. Mas, como este procedimento atende à legislação específica, até hoje não foi encontrada nenhuma brecha legal que levasse ao cancelamento de uma certidão em função de ter sido contestada por alguém interessado em terras ocupadas pelos quilombolas.

Além de servirem para iniciar o processo de reconhecimento das terras, a certidão emitida pela Fundação Palmares tem também outra vantagem. Dando visibilidade àquela comunidade, é possível desenvolver e aplicar políticas públicas específicas. Por exemplo, foi constatado que a alimentação dos quilombolas não é adequada, já que, ilhados pelos fazendeiros e grandes empresas de exploração florestal, não podem coletar ou cultivar os víveres necessários à sua sobrevivência. Nas comunidades que foram reconhecidas como remanescentes de quilombos, está sendo implantado um programa de segurança alimentar, através da merenda escolar, que está contribuindo para a melhoria das condições de saúde das comunidades, principalmente as crianças e jovens.

Tempo, tempo, tempo
Mas à Fundação Palmares cabe somente a emissão da certidão, que serve para iniciar o processo de reivindicação das terras. É no Incra que é feito o trabalho de identificar e delimitar o território, avaliar o valor de mercado das terras e das benfeitorias construídas pelos proprietários e elaborar o RTDI – Relatório Técnico de Identificação e Delimitação. Com base neste relatório é calculado o valor da indenização para que a área seja desapropriada e entregue aos quilombolas, com título de propriedade coletivo e cláusulas de impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade para garantir que as terras sempre serão destinadas ao uso comum de toda a comunidade e seus descendentes. Caso a atividade exercida ou alguma modificação na propriedade tenha provocado danos ambientais, o valor da indenização para o proprietário é reduzido, considerando o custo de recuperação da área afetada. Esta avaliação é feita pelo Incra, com base em instruções normativas.

O processo na Fundação Palmares, por sua própria natureza, é relativamente rápido. Já no Incra o prazo para elaboração de todos os laudos, relatórios e pareceres a respeito do território reivindicado pelos quilombolas é de dois anos. Mas o que poderia ser mais ágil e célere acaba consumindo todo este tempo, em função das profundas dificuldades estruturais por que passa o órgão. Restrito durante muitos anos a um papel burocrático de legalização de terras, em governos desinteressados por promover a desconcentração da propriedade rural, o órgão não captou recursos materiais e, principalmente, humanos que permitissem o bom andamento do trabalho. Segundo o antropólogo Roberto Almeida, da Coordenação Geral de Regularização de Territórios Quilombolas do órgão, o déficit de funcionários chega perto de dez mil. O concurso para preenchimento de vagas em dois cargos, que deve ser aberto até o fim do primeiro semestre, prevê a abertura de apenas 550 posições. “Hoje, aproximadamente 40% dos servidores estão em fase de pré-aposentadoria”, acrescenta.

Com esta deficiência, o andamento dos trabalhos é lento. “Isso se deve à baixa capacidade do Incra para atender à demanda. No Espírito Santo, por exemplo, não há antropólogo. Em alguns estados, o órgão e o movimento quilombola trabalham juntos para definir quais são as prioridades, quais comunidades precisam ser atendidas com mais urgência”, informa Roberto Almeida. O antropólogo explica, ainda, que, quando esta parceria não acontece, algumas vezes é a Justiça que determina qual comunidade vai passar primeiro pelo processo de elaboração do RTDI e avaliação do valor da indenização. “A política para as comunidades remanescentes de quilombos é nova, diferente da dos indígenas, que já é mais antiga, e há dificuldades. Seria necessário quase que outro Incra só para a área dos quilombolas. A titulação de terras foi criada em 1995, mas só começou a funcionar mesmo aqui em 2003”, explica Almeida.

Interesses e valores
Mas não é só dentro do Incra, com suas deficiências, que o processo se arrasta. É na Justiça que a briga se prolonga. Se o proprietário da terra pretendida pelos quilombolas tiver todos os documentos legais – emitidos pelo próprio Incra – a indenização será referente ao valor da propriedade e das benfeitorias feitas. Quando a documentação não existe ou é falsa, são indenizadas somente as benfeitorias. Como, em função do histórico de ocupação da terra no Brasil, poucas propriedades rurais são totalmente legalizadas, os fazendeiros e empresários usam de todos os artifícios processuais possíveis para retardar a desapropriação. “Quando o interesse econômico é muito poderoso, o processo não anda ou anda bem mais devagar. Eles fazem pressão política ou através do Judiciário. O grande poderio político entrava e dificulta o processo de reconhecimento do direito pelas comunidades”, descreve Roberto Almeida. A prova disso é a reação que já está ocorrendo no Espírito Santo à publicação do decreto de desapropriação das terras pertencentes à comunidade quilombola de Retiro, no município de Santa Leopoldina. Parlamentares e até setores da Igreja estão articulados e tentam anular o decreto, alegando inconstitucionalidade.

A boa notícia para as comunidades remanescentes de quilombos é que a última barreira legal para a desapropriação das terras quilombolas caiu em 2009. Agora, o processo deve ser acelerado. “As comunidades que já têm RDTI pronto e publicado devem conquistar o título mais rápido”, espera Roberto Almeida. Mas para os grupos que ainda não têm relatório pronto, a espera continua. “O Incra tem uma meta de entregar 700 relatórios até 2011, mas não vamos conseguir cumpri-la. Talvez possamos passar de 100, e olhe lá”, calcula o antropólogo.

História e contexto
quilombos constituíram uma importante forma de resistência dos negros trazidos da África contra a escravidão. Fugindo da opressão, dos trabalhos forçados, das condições sub-humanas e da violência, escravos se embrenhavam nas matas e fundavam aldeias onde passavam a viver escondidos. Alguns destes grupamentos eram grandes, sendo o maior deles o Quilombo de Palmares, que chegou a ter uma população estimada de 20 mil habitantes. Outros eram compostos de poucas famílias, algumas formadas pelo casamento entre as mulheres e homens que lá se refugiavam.

Os quilombos maiores foram combatidos, mas muitos dos pequenos ficaram esquecidos. Ao longo dos séculos, muitos quilombolas viveram isolados, outros tinham contatos esporádicos com a população não negra da região. E, embrenhados na floresta, ficaram invisíveis para o poder público.

O problema começou quando fazendeiros e grandes empresas começaram a se espalhar pelas regiões onde ficavam estes quilombos, principalmente a partir dos anos 70, quando os desmatamentos revelaram o que estava escondido na floresta. A construção de barragens de usinas hidrelétricas, também intensificada na época, foi outro fator que contribuiu para revelar estes grupamentos. Identificados pelo Estado como “comunidades negras rurais” até a Constituição de 1998, os remanescentes de quilombos não tinham nenhum mecanismo de proteção contra a ação dos endinheirados do campo, nem tinham força política para contestar as grandes obras da política desenvolvimentista.

Legislação*
Os procedimentos para a concessão da certidão pela Fundação Palmares às comunidades quilombolas estão definidos na Portaria 98 emitida pelo órgão, que regulamenta as ações a serem desenvolvidas, segundo determinação do Decreto 4887/03. Esta legislação específica vem atender a uma exigência da Constituição de 88, que, no artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, diz que “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”. A Convenção 169 da OIT, que foi ratificada pelo Decreto Legislativo nº 143, de junho de 2002, é a legislação geral que define o tratamento a ser dado aos povos tradicionais.

* Clique nas palavras destacadas para ver os textos das leis.

No Brasil, a memória dos anos de chumbo volta ao centro do palco

Do Jornal Francê Le Monde

tradução de Caia Fittipaldi, a pedido do Viomundo

Os anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985) estão de volta à lembrança dos brasileiros. 25 anos depois da volta da democracia, a vontade do governo de lançar luz sobre os crimes cometidos pelos agentes do Estado divide a coalizão de centro esquerda no poder e provoca tensão sem precedentes entre o presidente Luiz Inacio Lula da Silva e os chefes militares.

A crise começou com a assinatura, dia 21/12/2009, pelo chefe de Estado, de um decreto que lançou o III Programa Nacional dos Direitos Humanos. Esse texto preconiza a adoção de uma longa lista de cerca de 500 medidas e a aprovação de 27 novas leis aplicáveis a vários campos. O Programa terá de ser apresentado ao Congresso, o mais tardar, em abril de 2010.

O documento contém duas diretivas consideradas inaceitáveis pelos militares, pelo menos nos termos em que estão formuladas: a criação de uma Comissão da Verdade, encarregada de examinar os crimes perpetrados “no contexto da repressão política”, inovação, segundo os militares, “excessivamente insultante, agressiva e revanchista”; e dos textos contrários aos direitos humanos adotados entre 1964 e 1985 e que permanecem vigentes.

A expressão “repressão política”, diz o exército, significa que só os atos cometidos pelas forças da ordem serão objeto dessa operação verdade. Os militares propõem que a expressão seja trocada por “conflito político”, o que permitiria examinar também os atos praticados por militantes da extrema esquerda que escolheram a via da ação direta, em luta armada. Entre os militantes ativistas dos anos de chumbo está, por exemplo, a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata indicada pelo presidente Lula para disputar a sucessão em outubro.

Quanto à anulação de alguns textos legais, o exército suspeita que o projeto vise prioritariamente à Lei da Anistia votada em agosto de 1979. Lembram que a Constituição de 1988 consagrou a anistia; e que revisar essa lei, ainda que parcialmente, e retroativamente, seria ilegal.

Para bem marcar sua determinação, os chefes das três armas ameaçaram renunciar em bloco, em fins de dezembro, gesto que foi seguido pelo ministro da Defesa Nelson Jobim. O presidente Lula, que não conhecia detalhes dos textos, prometeu aos militares que os textos seriam alterados. De volta das férias, na 2ª-feira, 11/1, o presidente proibiu os ministros de voltarem a se manifestar sobre o assunto. Para o chefe de Estado, o destino da Lei de Anistia deve ser analisado pela Justiça, não pelo Executivo. A Corte Suprema, que recebeu processo encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil, deverá decidir sobre se as torturas podem ou não ser anistiadas.

Enquanto espera, o presidente deverá operar uma difícil arbitragem entre o Exército, que o presidente sempre cuidou de manter em paz, e Paulo Vannuchi, ministro encarregado da Secretaria dos Direitos Humanos (SEDH), seu amigo de 30 anos. Vannuchi também ameaçou demitir-se, caso o programa em que sua secretaria trabalhou for desfigurado, para satisfazer exigências do exército, e for convertido em “mostrengo político”. “É possível fazer ajustes”, disse Vannuchi, “mas dentro de certos limites”.

O caso chama a atenção para a exceção brasileira, único país latino-americano pós-ditadorial que não levou a julgamento os governantes da ditadura. A lei de 1979 deu cobertura aos militares, aos policiais e aos militantes engajados na luta armada; permitiu a libertação dos últimos prisioneiros políticos e o retorno de milhares de exilados.

Ao anistiar todos os que cometeram, entre 1961 e 1979, “crimes políticos e conexos”, a lei beneficiou simultaneamente perseguidores e perseguidos, prisioneiros torturados e carcereiros torturadores. E permitiu que esses últimos escapassem de qualquer julgamento. Votada seis anos antes do fim da ditadura, para grande satisfação da oposição que, à época, recebeu-a como uma vitória, a Lei da Anistia foi vista, então, como primeiro ato da volta à democracia. Depois, nunca mais o país chegou a realmente discutir as sequelas daquele período.

Na Argentina e no Chile, países nos quais as ditaduras foram, sim, mais ferozes, governos posteriores consideraram ilegítimas, em nome da justiça, as anistias decididas pelos militares, consideradas “autoanistias”. Na Argentina, onde a lei foi abolida, os militares autores de crimes foram julgados e condenados. No Chile, a lei sobreviveu, mas os criminosos também tiveram de comparecer ante os tribunais.

No Brasil, cerca de 400 opositores à ditadura foram mortos ou continuam desaparecidos. As famílias, para as quais esse passado “não passa”, exigem que se faça luz sobre esses dramas, em nome do direito à verdade histórica. Exigem que se abram os arquivos militares. O exército resiste, afirmando que aqueles arquivos foram perdidos ou queimados. As famílias protestam, acusando o presidente Lula de jamais se ter dignado a recebê-las. O protesto das famílias encontra eco cada vez maior.

O modo como evoluirá esse caso, nesse ano eleitoral crucialmente importante para o poder, mostrará se o Brasil está pronto para encarar o próprio passado para fortalecer ainda mais a própria democracia.

DIA NACIONAL CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (21 DE JANEIRO)‏

DIA NACIONAL DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (21 de Janeiro de 2009)

Lei Federal 11635/09

Religiosos expõem suas tradições
na Praça da Cinelândia, inauguram Núcleo da Polícia Civil e lançam dossiê
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é marcado por inauguração de Núcleo de Atendimento às Vítimas e lançamento do primeiro estudo
científico das vítimas atendidas pela CCIR

Verton da Conceição

Programação:

DATA: 21/01 (Quinta-feira)
Tendas temáticas de cada segmento membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
HORA: A partir das 10H
LOCAL: Praça da Cinelândia - em frente à Câmara Municipal

Inauguração do Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa da Polícia Civil
HORA: 10h
LOCAL: Prédio da antiga Polinter - R. Silvino Montenegro, 01 - 4º andar - sala 11 - Gamboa

Lançamento do dossiê da Intolerância Religiosa produzido pelo Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas da UFF
HORA: 14:30H
LOCAL: Sindicato dos Jornalistas - R. Evaristo da Veiga, 16 - 17º andar - Centro

Apresentações culturais - danças, cânticos e manifestações religiosas
HORA: 16h
LOCAL: Praça da Cinelândia - em frente à Câmara Municipal

Para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (*) a Comissão de Combate à Intolerância (CCIR) promove extensa programação de atividades que garantem a prática da Liberdade de Expressão Religiosa no Rio de Janeiro. Adolescentes e crianças dos mais diversos segmentos étnicos e religiosos (muçulmanos, judeus, umbandistas, católicos, ciganos, candomblecistas, devotos de Krishna e evangélicos) estarão desde às 10h, na Praça da Cinelândia, explicando e divulgando suas práticas religiosas em tendas temáticas. O Movimento Jovens pela Liberdade Religiosa, criado pela CCIR, pretende demonstrar que crianças e adolescentes formam a base sagrada de todas as religiões. Simultaneamente, haverá a inauguração do primeiro Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Exposição Temática: 10 tendas, com jovens e crianças religiosas - utilizando vestimentas e paramentas de suas respectivas tradições - estarão durante todo dia na Cinelândia. Além de receberem explicações sobre dogmas e doutrinas das mais diversas tradições, o visitante poderá ter acesso a livros sagrados, ouvir cânticos e assistir a DVDs. Alguns exemplares de livros e panfletos serão distribuídos gratuitamente;

Inauguração do Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa: Uma grande conquista dos religiosos, já que todos os registros envolvendo a Lei 7716/89 (Lei Caó) poderão ser monitorados e os procedimentos acompanhados. À frente dos trabalhos, o delegado Henrique Pessoa. O Núcleo não fará registros de ocorrências, mas vai acompanhar e orientar policiais e vítimas quanto aos procedimentos;

Lançamento do Dossiê da Intolerância Religiosa: Primeiro estudo científico realizado a partir dos casos atendidos pela CCIR, uma experiência inédita no país pela garantia de direitos civis. O dossiê, coordenado por doutores em Antropologia da UFF - ligados ao Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas - envolve sociólogos, antropólogos e historiadores e servirá como base para o Relatório da Intolerância (estudo mais aprofundado do trabalho da Comissão) a ser lançado em março e distribuído para as instituições que lidam com políticas de Direitos Humanos nas esferas municipal, estadual, federal e internacional. A escolha do Sindicato dos Jornalistas para o lançamento é uma forma de chamar atenção da sociedade para a importância dos profissionais da imprensa na conquista da liberdade religiosa;

Manifestações Culturais e Religiosas: A partir das 16h, a Cinelândia será tomada por danças israele e cigana, mantras, cânticos árabes, toque de atabaques, corais gospel e da Umbanda e muito respeito pelas diferenças. A juventude judaica prepara uma dinâmica de grupo - em que todos poderão participar - para lembrar que a intolerância religiosa foi o estopim da Segunda Guerra Mundial. Sheik, Rabino, Pastor, Padre, Sacerdotes da Umbanda, do Candomblé e Hare Krishna farão bençãos religiosas separadamente. Ao final, uma grande saudação ao Deus Único e Universal reunirá todos em uma grande oração pela paz e liberade.

(*) O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído pela Lei Federal 11.635/09 para lembrar a data de morte da iyalorixá (sacerdotisa do candomblé) Gilda do Ogun, em 2000. Mãe Gilda foi acometida por um infarto fulminante ao ver sua foto estampada na capa da Folha Universal com o título de "Macumbeiros charlatões enganam fiéis". A IURD foi condenada em última instância a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.


Mais informações:
Tel: (21).22327077 Edilene Tavares
(21) 22733974 Jorge Mattoso


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Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Eu Tenho Fé!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O impasse no Estado - 13/01/2010

Marcio Pochmann

A trajetória recente do desenvolvimento brasileiro permite que o debate político atual possa se concentrar cada vez mais sobre o futuro próximo que o conjunto da sociedade almeja para o país. Até pouco tempo, contudo, o foco das discussões encontrava-se aprisionado, quando não no passado, na emergência do “curtoprazismo”.


Esse patamar de maturidade alcançado ao longo dos últimos 25 anos pelo processo de consolidação democrática resulta de certos êxitos obtidos pelo reposicionamento do Estado mais recentemente. Recorda-se que a reforma do Estado defendida na década de 1980 terminou sendo inviabilizada pela forma com que as alianças políticas em prol da redemocratização foram conduzidas.


A nova República teve o inegável mérito de consagrar tanto a transição democrática como a geração da Constituição Federal que reconectou o país nas possibilidade contemporâneas de modernização. Nos anos 1990, contudo, o Estado foi tratado como fundamento principal dos problemas nacionais, passando, por conta disso, por medidas de desconstrução que apontaram para um dos maiores procedimentos de concentração de renda e riqueza da história nacional.


Três foram os principais procedimentos adotados para consagrar a brutal transferência de ativos financeiros e econômicos do país. O primeiro referiu-se à opção dos governos de plantão pela elevação do endividamento público, o que permitiu transferir – em menos de uma década – cerca de 1/5 do Produto Interno Bruto (PIB) à cúpula da pirâmide social na forma da financeirização da riqueza.


O segundo procedimento se deu por intermédio do processo de privatização do setor produtivo estatal. Quase 1/6 do PIB foi transferido da propriedade pública para mãos privadas nacionais e estrangeiras, o que possibilitou transformar os já muito enriquecidos nacionalmente em super ricos na escala global. Por fim, o terceiro procedimento resultou do dramático aumento da carga tributária no país. Acontece que a elevação da tributação no montante equivalente a 1/10 do Produto Interno Bruto nacional se deu fundamentalmente sobre a base da pirâmide social brasileira.


Ou seja, a população com remuneração de até dois salários mínimos mensais, que pagava tributos responsáveis pela absorção de quase 1/3 de seu rendimento, passou recolher quantia equivalente à metade de seus ganhos mensais. Na cúpula da pirâmide social, a ausência de tributos específicos, bem como a ação do planejamento tributário, continuou permitindo a evasão contributiva continuada da arrecadação tributária nacional.


Em pleno regime de débil dinamismo produtivo, o ajuste fiscal permanente promovido pelas políticas governamentais da década de 1990 favoreceu significativamente os interesses da parcela privilegiada dos brasileiros. Nesse sentido, observa-se que o Estado era concebido como problema enquanto incapaz de oferecer alternativas necessárias à sustentação da riqueza aos segmentos impossibilitados de elevar seus ganhos por meio do baixo dinamismo produtivo. A opção pela macroeconomia da financeirização da riqueza, fundada no ajuste “permanente” das finanças públicas, abriu caminho para que quantia equivalente a 45% do PIB fosse transferida de pobres para ricos no Brasil conduzido pelo neoliberalismo.


A recente volta do vigor econômico apontada pela maior dinâmica do setor produtivo, que cresce quase duas vezes mais que a experiência da década de 1990, permitiu novas escolhas para o reposicionamento do Estado nacional. Sem o abandono do compromisso com a estabilidade monetária, foi possível começar a reorientação da condução das políticas públicas, abrindo cada vez mais oportunidades de apoio também à base da pirâmide social.


Em resumo, o Estado deixou de ser tratado como problema, para assumir a condição de parte das soluções do conjunto dos problemas nacionais. Ao mesmo tempo em que o processo de endividamento público retrocedeu em relação ao PIB, o setor público estatal foi orientado para contribuir no financiamento do investimento voltado, entre outras áreas, para a ampliação da matriz energética, da infraestrutura econômica e social.


De um lado, bancos públicos vistos como improdutivos e passíveis de privatização foram resgatados e recolocados na marcha da função de apoio à produção e ao desenvolvimento nacional. De outro, empresas estatais que ainda não haviam sido privatizadas foram reconectadas ao esforço maior e executar suas missões de apoio ao crescimento estratégico da produção.


Toda essa reorganização do Estado brasileiro encontra-se incompleta. Mas seus resultados são inequívocos, especialmente em relação à experiência da década de 1990. Há, ainda, muito a ser feito. Mas isso, todavia, comporá parte do debate sobre os rumos do Brasil dos próximos anos. Para onde seguir. No mesmo sentido do fortalecimento do Estado como condição básica do projeto de desenvolvimento nacional com justiça social e sustentabilidade ambiental?


Quando se analisa a situação do conjunto dos municípios brasileiros, percebe-se que a presença do Estado ainda encontra-se insuficiente. Mais da metade dos municípios não conta com agências de banco público e estabelecimento público de cultura, enquanto um a cada três municípios não tem estabelecimentos públicos de saúde para atendimentos de urgência e internação. Somente 2,8% dos municípios possuem estabelecimentos públicos de ensino superior. O sentido do desenvolvimento nacional depende da superação do impasse nacional em torno do Estado. Em 2010, esse debate prosseguirá, guiando o futuro do Brasil.


Artigo publicado originalmente no Valor Econômico


Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada0 (Ipea) e professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas.

Sindicato cobra PCC digno e isonomia nos 149 anos da Caixa

Os empregados da Caixa Econômica Federal realizaram na última terça-feira, dia 12, um protesto no mesmo dia em que a empresa comemora 149 anos de existência. Na manifestação, que faz parte de uma mobilização nacional, os bancários cobraram um plano de cargos comissionados (PCC) digno e a isonomia entre novos e antigos funcionários. O ato ocorreu em frente ao prédio da Avenida Almirante Barroso. Sindicalistas partiram um bolo que trazia as reivindicações dos trabalhadores.

Os empregados apresentaram à empresa, em julho de 2009, uma proposta para o PCC, mas o banco apresentou o Plano de Funções Gratificadas (PFG), que tem vários itens prejudiciais aos trabalhadores, como a redução de jornada com diminuição de salários, a manutenção das oito horas diárias para funções de gestão, a jornada aberta, sem ponto eletrônico, para as chefias de unidade e a retaliação com a exclusão de quem não saldou o REG/Replan, entre outros itens.



O plano da Caixa propõe 15 níveis, com 15% de diferença entre eles e acaba com as classes de filiais e mercados. Além disso, altera a nomenclatura dos cargos e os agrupa, reduzindo de 119 para 56 funções, mantendo os quantitativos. Também realinha os cargos hierarquicamente de acordo com a sua complexidade, responsabilidade e atribuições. Pela proposta da empresa, os empregados migrariam do PCC para o PFG de maneira automática no cargo correspondente. Nesse processo de migração poderá ocorrer redução de remuneração básica, tendo em vista a reclassificação. "Não aceitamos nenhuma proposta que represente prejuízo para os trabalhadores e muito menos imposta de forma unilateral. Queremos um PCC justo e a isonomia, já!", adverte o vice-presidente do Sindicato, José Ferreira.

A Caixa vincula a implantação do PFG à solução das jornadas da carreira técnica, reduzindo de oito para seis horas com redução proporcional do salário.Confira no quadro abaixo os itens da proposta patronal rejeitados pelos empregados e o que os trabalhadores e o movimento sindical defendem.

O PCC que queremos

Jornada de seis horas para todos os empregados, sem redução de salário.

Extinção dos mercados B e C, com adoção dos valores do mercado A

Extinção das filiais 2 e 3, com adoção dos valores das filiais 1.

Não permitir discriminação contra quem permanecer no REG/Replan ou no antigo PCS.

Critérios de comissionamentos e descomissionamentos.

Imprensa livre é imprensa privada?

Por Emir Sader, colunista Carta Maior

A ideologia liberal – dominante nestes tempos – costuma caracterizar se um país é democrático, pelo seu regime político, fazendo suas perguntas clássicas: se há pluralismo partidário, separação de poderes no Estado, eleições periódicas e imprensa livre. Não contempla a natureza social do país, se há universalização de direitos básicos, se se trata de uma democracia social ou apenas do sistema político.

Um dos problemas dessa visão redutiva que marca o liberalismo, seccionando a esfera político-institucional do resto da formação social, é que vai buscar a resposta no lugar errado. Saber se um país é democrático é saber se sua sociedade é democrática. O sistema político é uma parte dela e deveria estar em função não de si mesmo, mas de criar uma sociedade democrática.

Mas o pior desses critérios é tentar fazer passar que imprensa privada é critério de democracia. Imprensa privada (isto é, fundada na propriedade privada, na empresa privada) como sinônimo de imprensa livre é uma contradição nos termos. Imprensa centrada na empresa privada significa a subordinação do jornalismo a critérios de empresa – lucro, custo-benefício, etc. . etc., a ser financiado por um dos agentes sociais mais importantes – as grandes empresas. O que faz com que a chamada imprensa “livre” seja, ao contrário, uma imprensa caudatária dos setores mais ricos da sociedade, presa a seus interesses, de rabo preso com as elites dominantes.

A chamada imprensa “livre” representa os interesses do mercado, dos setores que anunciam nos veículos produzidos por essas empresas, que são mercadorias, que transformam as noticias e as colunas que publicam em mercadorias, que são compradas e vendidas, como toda mercadoria.

Antes de serem vendidos aos leitores, os jornais – assim como os outros veículos – são primeiro vendidos às agencias de publicidade, que são os instrumentos fundamentais de financiamento da imprensa “livre”. “Um anúncio de uma página em Les EchosLe Monde Diplomatique de outubro.

São então “livres” de quê? Do controle social, da transparência do seu financiamento, da construção democrática da opinião pública. Prisioneiros do mercado, dos anúncios, das agências de publicidade, das grandes empresas privadas, do dinheiro.

Uma imprensa livre, democrática, transparente, não pode ser uma imprensa privada, isto é, mercantil. Tem que ser uma imprensa pública, de propriedade social e não privada (e familiar, como é o caso das empresas jornalísticas brasileiras).

A Conferência Nacional de Comunicacáo, a ser realizada em novembro, é um momento único para redefinir as leis brasileiras, promovendo a construçãao e o fortalecimento de uma imprensa realmente livre, democrática, transparente, pública.
(publicação econômica francesa), com tarifa normal, rende mais do que a totalidade de suas vendas nas bancas” – diz Serge Halimi, em artigo no

Casoy e Gandra: CCC e Opus Dei unidos

por Altamiro Borges, em seu blog

O “âncora” da TV Bandeirantes, Boris Casoy, resolveu assumir de vez o seu direitismo raivoso. Depois de humilhar os garis que desejaram feliz ano novo - “Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho” – e de receber uma bateria de duras críticas, ele decidiu radicalizar as suas posições. Nesta semana, Casoy acionou o jurista Ives Gandra, notório militante da seita fundamentalista Opus Dei, para falar sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, de autoria do ministro Paulo Vannuchi.

Logo na abertura do Jornal da Band, o âncora, que é metido a dono da verdade, dá a sua opinião tendenciosa. “O novo decreto de direitos humanos do governo é criticado pela sociedade e até por ministros de estado. A lei estabelece censura aos meios de comunicação, é contra o direito de propriedade e de liberdade religiosa. Especialistas consideram o projeto o primeiro passo para um regime ditatorial”. Casoy mente descaradamente ao tratar plano como uma imposição autoritária do presidente, já que ele será debatido no parlamento. Quanto aos tais especialistas, ele ouve somente uma “personalidade” ligada à ditadura, ao latifúndio e aos setores mais reacionários da sociedade.

Visão tendenciosa e eleitoreira

Na sequência, um narrador em off reforça a visão preconceituosa e mentirosa. “A nova lei que o presidente Lula assinou sem ler passou pelo crivo direto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata do PT à presidência da República, e dos ministros da Justiça, Tarso Genro, da Comunicação, Franklin Martins, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. É um emaranhado de artigos e parágrafos que muitas vezes ataca a Constituição”. O objetivo, nesta narração, é nitidamente eleitoreiro, como palanque do tucano José Serra, o candidato da mídia hegemônica.

Criado o cenário para o desgaste do governo, o repórter Sandro Barboza inicia a entrevista com “um dos mais conceituados juristas internacionais”, Ives Gandra. O “jornalista”, que também não esconde suas posições direitistas nas perguntas, apenas deixa de informar aos telespectadores que o bajulado especialista participou da campanha presidencial de Geraldo Alckmin (o tucano que é seguidor do Opus Dei) e defende tudo o que é há de mais retrógrado e conservador na sociedade brasileira. Apesar da ânsia de vômito, vale à pena conhecer a grotesca “entrevista”:

As idéias de um direitista convicto

Jornal da Band: O projeto prevê que o proprietário rural que tiver uma fazenda invadida não poderá mais recorrer ao Judiciário.

Gandra: O que eles tão pretendendo é dar direito àquele que invadir qualquer terra fazer com que uma vez que for invadido o direito de propriedade deixa de ser do proprietário, passa a ser do invasor.

JB: A lei quer evitar a divulgação de símbolos religiosos.

Gandra: Se não pode mais haver símbolos religiosos nós temos que mudar o nome da cidade de São Paulo e todas as cidades que tem nomes de santos não poderão mais ter.

JB: Será criada uma comissão para controlar o conteúdo dos meios de comunicação.

Gandra: No momento em que se elimina a liberdade de imprensa nós estamos perante efetivamente o início de uma ditadura.

JB: Um novo imposto sobre grandes fortunas seria instituído.

Gandra: É um imposto que afasta investimentos porque aquele que formou um patrimônio depois é tributado em todas as operações e ainda vai ser tributado no seu patrimônio pessoal.

JB: As prostitutas contariam com direitos trabalhistas e carteira assinada.

Gandra: Isso não é profissão. Na prática o verdadeiro direito humano é tirar essas moças de onde elas estão e dar profissões dignas a elas.

JB: Os responsáveis pelas torturas durante a ditadura militar seriam julgados. Já os guerrilheiros que também torturaram ficariam livres de qualquer punição.

Gandra: Torturador de esquerda é um santo. Torturador de direita é um demônio. É um decreto preparatório para um regime ditatorial.

O novo “comando do terror”

Com mais esta “reporcagem” no seu currículo, Boris Casoy elimina qualquer ilusão sobre a sua neutralidade e imparcialidade jornalística. O blog Cloaca News, inclusive, conseguiu descobrir a revista Cruzeiro, de 9 de novembro de 1968, que denunciou Casoy como ativista do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Tem até a foto dele mais jovem. Intitulada “CCC ou comando do terror”, a matéria comprova que este agrupamento promoveu vários atentados terroristas nos anos 1960/1970, inclusive contra os artistas do Teatro Roda Vida e contra os estudantes da USP.

Agora, o âncora fecha o ciclo e se une ao Opus Dei para criar um novo “comando do terror”. Para quem não conhece esta seita religiosa, reproduzo trechos de três artigos de minha autoria:

O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.

Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.

O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.

Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas

Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.

Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.

Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.

Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Infiltração na mídia

Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.

Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.

O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”

Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.

A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.

Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.

O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”

O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.

Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Os tentáculos no Brasil

No Brasil, o Opus Dei fincou a sua primeira raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, segundo na hierarquia. “Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à ‘opção pelos pobres’, fundamentos da Teologia da Libertação”, explica Marina Amaral na revista Caros Amigos.

Ainda segundo seu relato, “aos poucos, o Opus Dei foi encontrando seus aliados na direita universitária... Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra Martins e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco ‘apitou’ (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários”.

Crescimento na ditadura

Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do atual presidenciável. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita.

Seu crescimento dependeu da benção dos generais golpistas e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus “embaixadores”, relacionando-se com donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada – Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Confrontado com esta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: “Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei”.

Ofensiva recente na região

Na fase recente, o Opus Dei está excitado, com planos ousados para conquistar maior poder político na América Latina. Em abril de 2002, a seita participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus seguidores, José Rodrigues Iturbe, foi nomeado ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar – cuja esposa é do Opus Dei –, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é megaempresário das telecomunicações no país.

Em dezembro do ano passado, o Opus Dei assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio deste ano, colheu uma nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, declarada numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, a seita comemorou a vitória do narco-terrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que também dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido simpatizante do Opus Dei, Felipe Calderon, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país.

Direita reorganiza coalizão de 64: falta a marcha!

Por Rodrigo Vianna, ex-repórter da Rede Globo. Publicada no site www.rodrigovianna.com.br/, na última segunda-feira, dia

Marcha da Família, Com Deus, Pela Liberdade...

É só isso que está faltando nesse início de 2010.

Ontem, fui a um encontro de pequenos empresários da comunicação e blogueiros, interessados em se organizar. Um dos presentes foi quem levantou essa bola. "A direita armou a mesma frente de 64:, militares, latifundiários e donos da midia; só falta a Marcha da Família".

A discussão, que era pra ser sobre comunicação, enveredou pela politica. Lembrei aos amigos que na América Latina há - claramente - uma reorganização das forças da direita. Curioso que a direita retome a ofensiva justamente quando Obama chega ao poder. Parece que Obama (para ter energia nos combates internos que trava com os republicanos) abriu mão de interferir no aparelho conservador que segue dominando as ações dos EUA no exterior.

Esse aparelho dá apoio à ofensiva da direita no continente. Garcia, no Peru, investe contra a Bolívia. Uribe abre as portas para novas bases dos EUA na Colômbia. Hillary e sua tropa (!) dão apoio aos golpistas de Honduras. Lugo é emparedado pela direita no Paraguai. Cristina Kirchner vê a direita partir pra cima do governo na Argentina.

No Chile, joga-se o próxmo round dessa disputa. No domingo, um candidato da direita (e lá é direita mesmo, pinochetista, ele não finge que é de "centro") segue à frente nas pesquisas, e pode levar de volta ao La Moneda a coligação que deu sustentação ao general ditador.

Análisávamos o quadro quando alguém lembrou o óbvio. "O Brasil está no centro de tudo; se cair o Brasil, cai o resto".

Esse é o jogo.

Vejam: não estou a dizer que Serra seja da extrema-direita. Isso não é verdade. Goste-se ou não de seus métodos, ele é hoje um homem de centro. Não pode ser comparado a Bornhausen, ACM e outros. Mas o fato é que a política jogou Serra para uma coligação direitista; e ele aceitou o jogo.

Os grandes capitalistas não achariam ruim uma vitória de Dilma. Ganham dinheiro com o governo Lula. Sabem que é preciso distribuir renda, e reduzir as iniquidades. Assim eles faturam mais. Lula fez (e faz) um governo social-democrata, moderado.

Mas a direita orgânica, preconceituosa, que acha "nordestino vagabundo" e não quer "quota para preto safado" (são expressões que eu ouço aqui em São Paulo), essa direita está salivando. É a turma que baba na gravata, de raiva, ao pensar em Dilma (a "terrorista") no poder.

São vários os setores que se alvoroçam no Brasil nesse início de 2010: a classe média raivosa, os partidos de oposição (por terem perdido o aparato do Estado - imaginem mais 4 ou até mais 12 anos de petistas no poder; seria o fim para o demo-tucanato), os donos da grande mídia (por terem perdido verba publicitária para veículos do interior, inteligente estratégia do governo Lula para quebrar a espinha dorsal do PIG).

Eles vão se agarrar no que puderem, pra atacar Dilma. É do jogo.

A reportagem que a "Band" levou ao ar, sobre o Plano de Direitos Humanos, é quase uma piada. Mas devemos levar a sério. É um sinal de que o desespero chegou. A coalizão de 64 já não tem força para marchar nas ruas, imagino. Mas eles ainda têm a mídia para aterrorizar os cidadãos. O Azenha reproduziu o texto da "reportagem" da Band aqui - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/jornal-da-band-inventa-guerrilheiros-torturadores/

Na reunião de ontem, um veterano militante lembrou que nos anos 60/70 costumava-se subestimar a direita. "Quando, numa peça de teatro por exemplo, íamos caracterizar um sujeito como consrevador, ele era caracterizado normalmente como obtuso, sem brilho; e não é assim que as coisas funcionam".

De fato. Não vamos subestimar a direita. Ela fará tudo, muito mais do que em 2002 ou 2006, para impedir outra vitória da centro-esquerda. Até porque agora há o aval de um movimento em toda a América Latina, para barrar qualquer traço de reforma social.

O embate será pesado. A batalha do Brasil é a mais importante na grande disputa pela América Latina.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PRESIDENTE DO LEGISLATIVO CAXIENSE RECEBE COMISSÃO DO FÓRUM MUNICIPAL DE JUVENTUDE.



As políticas públicas de juventude como política de estado. Essa foi à tônica da visita do último dia 3 de dezembro, ao Vereador Mazinho, presidente da Câmara Municipal, por uma comissão de atores sociais representando diversas entidades participantes do Fórum Municipal de Juventude de Duque de Caxias.
O vereador ouviu com muito interesse, sobre a temática de juventude, seus marcos legais e sua importância estratégica para o desenvolvimento do município. Vários pontos foram abordados pelos integrantes da comissão.Vinícius Veiga, presidente da Juventude do PV Caxias e coordenador de comunicação do Fórum, destacou a tramitação na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 4.529/2004, que institui o Estatuto da Juventude e aguarda aprovação na Comissão Especial daquela casa legislativa, do relatório da Deputada Manoela D Ávila.
Sobre o Plano Nacional de Juventude, que prevê a implantação de um Sistema Nacional de Juventude nos moldes do SUS, SUAS e SUSP, e também tramita na Câmara dos Deputados através do PL 4.530/2004, foi explando pelo militante estudantil Erick Lima, representante da UEDC, União dos Estudantes de Duque de Caxias.
Esses dois projetos de lei e a PEC 042/2008, que insere o termo “Jovem” na Carta Magna, montam um sistema de política nacional que altera a própria Constituição Federal, as constituições estaduais e as leis orgânicas, para depois estabelecer metas num período decenal, confirmou Darlan Ramos, da Casa da Juventude e coordenador institucional do Fórum.
No âmbito do CONJUVE - Conselho Nacional de Juventude, a principal proposição é o PACTO PELA JUVENTUDE, que articula por meio de um conjunto de ações e compromissos, que devem ser assumidos pelos governos federal, estaduais e municipais, legisladores e futuros candidatos, a tradução das demandas identificadas pela 1ª Conferência Nacional de Juventude, que mobilizou mais de 400 mil jovens em todo Brasil. Alessandro Mendes, secretário municipal da Juventude do PT Caxias, propôs ao presidente da Câmara, que no município, a proposição fosse adotada pelo poder legislativo.

Contribuindo com a temática de empregabilidade e renda, Marcelo Ribeiro, representante da CTB - Central de Trabalhadores (as) do Brasil, ressaltou que o jovem em nosso município tem sido afetado de maneira excludente do mercado de trabalho, com os jovens negros e de baixa escolaridade, sendo os mais excluídos. Melissa Mendes, da JDem, relatou a experiência bem sucedida do município de Ribeirão Preto, com o programa Ribeirão Jovem e fechando as intervenções, Silas de Andrade, do DJ da Cruz Vermelha de Caxias, solicitou ao vereador que assinasse o manifesto de apoio ao Fórum, a exemplo do chefe do poder executivo, Prefeito Zito.

A agenda foi encerrada com a fala do presidente da Câmara, afirmando seu compromisso de apoio ao Fórum e seus objetivos, colocando o poder legislativo municipal com parceiro institucional das propostas das entidades e movimentos juvenis que compõem o Fórum.



Erick, Silas, Ver. Mazinho, Alessandro, Vinícius, Darlan, Melissa, Marcelo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A COMUNIÇÃO NA VIDA (CONJUGAL).

Para a este artigo refleti quanto as minhas próprias relações com meus pais, marido, filhos, amigos e pacientes, no o esforço necessário ás vezes que disponho a fim de compreender e ser compreendida.A comunicação é mais abrangente e complexa em nossas vidas do que nos damos conta, ao falarmos emitimos também as nossas preocupações, sentimentos, a visão de nós e do outro.Atrás de uma palavra ou expressão enviamos tantas mensagens, o outro que nos ouve poderá compreende-las influenciado por seus pensamentos e sentimentos. Quando conturbada pode levar um casal a situações pouco confortáveis e até mesmo a separação. Quando as pessoas se unem, namoro, casamento e os diversos arranjos conjugais, ambas possuem características próprias de expressar o que sente e pensam, que absorveram ao longo da vida com suas famílias e outros relacionamentos, já estão treinados e habituados. Ao se relacionarem com seus parceiros no intuito do cultivo do amor e a vida a dois, o amor não serve de tradutor e nem de cola se a comunicação está em déficit. Então se inicia o desencontro, quando um fala o outro não ouve, um simples pedido soa como uma ordem, uma reclamação sugere insatisfação e desqualificação. São inúmeras as situações cotidianas onde a comunicação passa a ser utilizada como uma arma na luta de poder entre o casal levando-os a uma escalada de discussões stressantes e intermináveis, tornando-os tão envolvidos em quem está com a razão, impedindo desta maneira o cultivo do diálogo e do entendimento de significados de cada um, Não observando como o outro a recebe, se refugiam em seus mundos, procurando meios como Tv, atividades domésticas, filhos e até mesmos os amigos “como uma forma de nunca estarem a sós”. Deste modo a relação já esta contaminada pelo não dito e pelas frustrações e mágoas que se acumulou em cada parceiro, neste momento qualquer palavra, gesto, olhar, atitude poderá contribuir para um ciclo vicioso, que se alimenta a cada movimento do casal mantendo-se como uma dança que o casal constrói por anos, até ocorrerem fatos na vida que exija do casal um rearranjo, podendo leva-los ao seu reencontro ou desencontro. Se a comunicação conturbada adoce o relacionamento, os diversos rios que alimentam esta relação, como interesse mútuo, admiração, confiança, fidelidade, perspectiva de futuro, construção da felicidade, interesse sexual, e o amor adoece junto.

Não pretendo insinuar que a paixão não resiste ao desgaste do cotidiano, sugerir que, com o passar do tempo, uma história de amor perde o brilho, falar de tédio e afastamento, de desencanto e ilusões perdidas. Não tem de ser assim!

Fomos embalados pelas histórias de príncipes e princesas que marcaram nossa infância, acreditamos que o casamento é uma garantia de eterna completude e que o encontro amoroso trará a segurança de um afeto incondicional e a excitação do mistério, sem perder jamais o brilho do efêmero. Mas a construção do amor se faz a cada dia. Os perigos se renovam, mudam de aspecto.É preciso estar alerta, para não se deixar seduzir pelas armadilhas da comunicação; é necessário ser forte e valente, para não ser tragado pelas areias movediças da mesmice. Sobretudo, é preciso ser sábio para reconhecer esses inimigos – que se escondem atrás de máscaras inocentes, como as contínuas concessões ao tédio, “ os pequenos descuidos para com o outro”. O diálogo é rico na manutenção do vínculo amoroso proporciona o respeito mútuo das características de cada um, o fortalecimento de suas afinidades, ele deve ser um alimento que se come junto para a continuidade e qualidade da relação.


Margarete Ap. Volpi Arantes.
Psicoterapeuta Familiar e Casal
Psicóloga pela Unesp-Bauru.
Pós-Graduada pela Puc-SP.
18 Anos de atuação Profissional.
Consultório: Rua. Bertioga, 46 – Pça. Da Árvore –SP
Fone: 5589-3358/5583-3374
Rua. Silvia,416 (paulista)
Fone: 3262-1447

Depressão: Amante causadora de muitas separações

Dr. Luís Carlos Calil

Depressão é uma doença muito comum em todas as sociedades. Tem aumentado sua freqüência em populações mais jovens. É a segunda causa de morte (por suicídio), superada apenas por acidentes entre os jovens americanos.

Ocorre em todas as idades, sua incidência atinge cerca de 6% da população, e cerca de 20% das pessoas irão apresentar ao menos um episódio depressivo ao longo da vida. Pode se apresentar de várias maneiras, aí é que começa a complicação.

A definição de depressão pela Organização Mundial de Saúde (OMS), através da Classificação Internacional de Doenças (CID - 10), implica que devam estar presentes em graus variados de intensidade, nos episódios típicos, humor deprimido, perda de interesse e prazer nas atividades, energia diminuída levando a uma fadiga aumentada e atividade diminuída.

Podem ocorrer idéias suicidas, e pessoas deprimidas suicidam trinta vezes mais que a população geral.

Hoje sabe-se que a depressão é acompanhada por alterações em substâncias no Sistema Nervoso Central, os neurotransmissores, principalmente a noradrenalina e a serotonina. É também vista como uma condição crônica em muitos casos necessitando tratamento prolongado.

Cerca de dois terços dos deprimidos não procuram ajuda médica, tentam se tratar com receitas caseiras, uso de vitaminas, busca religiosa e outros recursos.

Contudo a depressão não se limita a alterações neurobiológicas. É antes uma experiência de profunda dor, que mobiliza os sentimento mais primitivos tanto no deprimido como nas pessoas com quem convive.

Ocorre que entre os deprimidos observa-se comportamentos que visam reduzir o mal estar, e alguns destes comportamentos é que definimos como "Amante" causadora de separações.

A pessoa deprimida está com os piores sentimentos em relação a si mesma, com idéias de culpa, de inutilidade, redução da auto-confiança e auto-estima. É compreensível que alguém neste estado queira se livrar dele, da maneira que puder. Que sinta inveja de quem não está deprimido, e que fique mais amarga e hostil na convivência.

Muitas vezes o deprimido apresenta redução do desejo sexual, se o parceiro não compreende, pode acusar o outro de estar com amante. Outras vezes o deprimido pode ao contrário apresentar comportamento promíscuo, buscando relações sexuais descabidas na tentativa heróica de aliviar sua angústia. Pode fazer uso de bebidas alcoólicas e drogas com a mesma finalidade. O bem estar é passageiro, o sentimento de culpa e irritabilidade aumentam, o desempenho no trabalho fica mais comprometido. Se neste momento de intensa fragilidade houver perda de emprego, conflitos ou separações conjugais, o risco de suicídio se potencializa.

Não é hora de julgar comportamentos, é momento de compreensão - o deprimido está fazendo o que pode para sobreviver, não que seja o melhor, mas é o melhor que pode fazer.

Esta pessoa que já se sente só, ficará realmente desamparada, e na companhia dos piores sentimentos que pode experimentar.

Quando duas pessoas se unem, fala-se em comunhão de bens; que estarão unidos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Quanto à comunhão de bens e união na saúde e alegria, não há grandes problemas, contudo quando surgem os males, as doenças, as tristezas, o que era antes meu bem pra cá, meu bem pra lá, muitas vezes culmina em separação e acaba com meus bens pra cá, e seus bens pra lá - suas doenças e seus males também.

Ninguém diria a uma pessoa com a perna fraturada, para ela andar fazer passeios para a perna melhorar. É comum familiares, amigos e às vezes médicos tentarem ajudar como podem. Dizem a pessoas deprimidas para esquecer os problemas, ou que não tem problemas para se deprimir, que existem pessoas em pior situação e não se entregam, ou sugerem férias e passeios. A tolice é tão grande como quando o deprimido usa drogas ou sexo para melhorar seu mal.

Partilhar e entender esta experiência de dor não é tarefa fácil e não depende só de boa vontade. Depende de condição interna para acolher até onde possível essa angústia, e encaminhar o companheiro que padece desse mal a quem de competência para tratamento adequado.

A metade dos deprimidos que procuram ajuda médica procuram clínicos, em função de seu mal estar físico e certo preconceito quanto a procurar psiquiatras. Após vários exames clínicos normais, e infelizmente algumas prescrições de "calmantes", que mais agravam a depressão, cerca de 5 % dos deprimidos chegam ao psiquiatra. Se o tratamento for bem conduzido com uso de medicamentos, e algumas vezes auxílio de psicoterapia, 80% dos casos respondem ao tratamento. Ainda existem casos refratários a todos os tratamentos existentes.

Dedico este texto a todas as pessoas que experimentam ou experimentaram a dor da depressão, tão difícil de ser expressa. Dedico também a seus familiares e companheiros, na esperança de que possam compreender melhor e respeitar essa dor, talvez a mais humana das dores.

Dr. Luís Carlos Calil
Professor da Disciplina de Psiquiatria Clínica da FMTM - Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria

Alcoolismo: Vício, Delírio e Morte

Um motorista embriagado, mesmo que se sinta lúcido, terá seus reflexos psicomotores desorganizados, por isso é um suicida e um criminoso em potencial, ainda que involuntário. O modo como o álcool afeta o comportamento humano varia de indivíduo para indivíduo. Mas pode-se saber as diferentes taxas de concentração de álcool no sangue e os efeitos que ela causa.

* No Brasil as leis de trânsito (resolução 476 de 1974) consideram dirigir em estado de embriaguez, quando o nível de álcool no sangue (alcoolemia) for igual ou superior a 0,8g/l ou o nívelde ar exalado (no bafômetro) for 0,00038g/l.

*A porcentagem de álcool encontrada nas bebidas mais comuns são:

cerveja (baixo teor) 0,2 a 2
cerveja (médio teor) 2 a 4,2
cerveja (alto teor) 4,2 a 7
vinho de mesa 10 a 13
champanhe 10 a 13
licores 18 a 24
compostos 12 a 20
whisky 36 a 24
conhaque 36 a 24
bagaceira 38 a 24
brandy 32 a 40
rum 40 a 41
vodka 40 a 41
gin 40 a 47
tequila 40 a 46
pina colada 24 a 22
pinga 40 a 24 ou mais


Uma dose aproximadamente de 1 ml/kg de etanol absoluto (92 a 99% etanol) geralmente resulta em níveis no sangue de 100 a 120mg/dl. Uma concentração no sangue entre 120 a 300mg/dl já determina sinais e sintomas.

* Veja na tabela abaixo a comparação de sintomas apresentados por bebedores esporádicos e etilistas crônicos de acordo com a variação das concentrações sangüíneas de etanol:

Concentraçãode etanol (mg/dl) Bebedores esporádicos Bebedores crônicos
60 euforia sem efeitos observados
72 gregário e falante normalmente sem efeito
100 sem coordenação; legalmente intoxicado sinais mínimos
122 - 120 descontrole episódico, comportamento liberado euforia agradável ou início de incoordenação
200 - 220 perda do estado de alerta, letargia necessidade de esforço para manter controle emocional e motor
300 - 320 topor ou coma sonolência e letargia
mais de 200 alguns morrerão coma


* A tabela abaixo relaciona os níveis de etanol sangüíneo e sinais e sintomas de intoxicação:

Nível de etanol sangüíneo Nível de intoxicação
20mg/dl leve: diminuição da inibição, leve incoordenação
100mg/dl leve-moderação: diminuição das reações, alteração das habilidades sensoriais, inabilitado para dirigir
120mg/dl intoxicação legal: alteração da personalidade, mudança de comportamento
200mg/dl intoxicação moderada: náusea, vômito, confusão mental, andar cambaleante
300mg/dl intoxicação moderada - severa: fala arrastada, diminuição sensorial, distúrbios visuais
400mg/dl severa: hipotermia, hipoglicemia, perda do controle muscular, perda da memória, convulsões
700mg/dl potencialmente letal: inconsciência, diminuição dos reflexos, falência respiratória, morte


Portanto, não há nenhuma vantagem em beber e dirigir: isso não prova a habilidade de ninguém, pode apenas comprovar a ignorância sobre os efeitos do álcool no organismo. Como os centros cerebrais do julgamento lógico são os primeiros a serem afetados pelas bebidas, uma pessoa que bebe quase sempre pensa estar agindo mais sobriamente do que na realidade está.

A Famosa Ressaca

A palavra ressaca é usada para descrever diferentes efeitos posteriores da ingestão de bebidas alcoólicas. O mais comum deles é a dor de cabeça. A maioria das dores de cabeça de ressaca é talvez causada pelo abuso de fumo que geralmente acompanha as noitadas alegres e pelo fato de que os locais em que se bebe são freqüentemente pouco ventilados e cheios de fumaça.

O segundo componente de uma ressaca é o enjôo, o estômago embrulhado. Sua causa é a irritação do revestimento do estômago provocada pelo álcool. Esse efeito pode reduzido se a pessoa come durante ou antes de começar a beber. Os alimentos apenas diluem as bebidas, tornando-as menos irritantes para o estômago, como também atrasam a absorção do álcool na corrente sangüínea.

Mas, quase sempre, uma ressaca é uma combinação de dor de cabeça, náuseas, tontura, letargia (sono profundo) e sensação de estar boiando a uns 12 centímetros do solo. A maioria desses sintomas resulta da desidratação.

O corpo torna-se desidratado depois de uma bebedeira porque o álcool é diurético: estimula os rins a filtrarem a água do sangue. Assim, uma pessoa que bebe elimina mais água na urina do que a quantidade que ingere. Se uma pessoa toma 3 litros de cerveja durante uma noite, ela urina mais de 3 litros de água. Na manhã seguinte seu corpo estará desidratado e o engrossamento do fluido sangüíneo terá ampliado a concentração de vários sais minerais.

Para preveni-los o melhor meio é tomar um litro de água antes de ir para a cama, tomar um remédio para dor de cabeça - de preferência numa forma solúvel para não irritar o estômago. Também ajuda a ingestão de vitamina C, de sucos de tomate ou limonadas, de ostras com limão, etc..

As Conseqüências Drásticas do Alcoolismo

Os principais sintomas do alcoolismo são a deterioração psicológica e física do viciado. À medida que a deterioração psicológica avança, o indivíduo vai perdendo sua capacidade mental, torna-se descuidado e impontual e não pode concentrar-se suficientemente para terminar um trabalho que não gosta de fazer.

A deterioração física freqüentemente começa por tornar gordo e flácido o alcoólatra, mas, nos últimos estágios da doença, ele pode perder peso rapidamente, devido à subnutrição e são efeitos do álcool no fígado. Quanto mais álcool é ingerido, mais irritado se torna o revestimento do estômago e dos intestinos, as células do fígado morrem e são substituídas por um tecido fibroso (cirrose hepática), e a nutrição inadequada pode afetar os músculos cardíacos e os nervos dos braços e pernas. Além disso, como sua resistência orgânica é enfraquecida pelo álcool, os alcoólatras tendem à pneumonia e à tuberculose e a qualquer outro tipo de infecção.

Talvez o mais conhecido dos sintomas do alcoolismo seja o delirium tremens - uma série de alterações agudas e subagudas que ocorrem nos alcoólatras crônicos. Começa com agitação e insônia e se desenvolve em delírio depois de um ou dois dias. Seus sinais mais terríveis são as alucinações que freqüentemente tomam a forma de animais, dos quais a vítima tenta fugir.

O único tratamento realmente efetivo para o alcoolismo é fazer com que o viciado deixe de beber. Os métodos clínicos incluem drogas que, quando ingeridas, provocam no viciado aversão ao álcool. Mas o sucesso dos tratamentos depende muito da decisão do alcoólatra em deixar o vício. Unicamente uma questão de força de vontade que médicos clínicos e psiquiatras podem ajudar.

Lúcia Helena Salvetti De Cicco
Editora Chefe

* Informações fornecidas pelo Centro de Controle de Intoxicações da
Unicamp

A arte de Envelhecer

A arte de Envelhecer

Viva, viva, viva o momento presente.
Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.
Observe-se o bastante para não se enganar sobre si mesmo.
Corrija as sua falhas com diligência e coragem.
Ria de si mesmo.
Seja equânime e justo.
Seja Verdadeiro e cuidadoso com as pessoas.
Dê sem pensar em retorno, nunca.
Prepare-se para ser o professor em vez do aluno.
Tenha compaixão pelo sofrimento alheio.
Sempre tente ajudar.
Sua linguagem agora é a paciência.
Mesmo que não queira, ela nasce numa determinada idade...
Limpe o Seu carma e o de sua família praticando boas ações
e dedicando o mérito para o benefício de todos os seres;
Assim você estará preparando o seu futuro,
sua velhice, sua madurez.
Prepare-se para morrer um dia,
pergunte-se o que vai responder quando for indagado:
"-O que você tem para nos mostrar da sua vida?"
Porque você será indagado, seja ateu ou devoto.
Você dará vários nomes a isso. Essa energia:
Buda, Cristo, Deus, Energia, Vida, Mente, Psique, Eu mesmo.
Mas ela estará lá, dentro/fora de você,
como sempre esteve e estará.
Observe a natureza, o tao.
Tudo nasce, tudo morre, tudo tem um ciclo.
Viva os seus ciclos com paixão, sem medo.

É a sua vida!!!

Saiba mais sobre a Diabetes

Saiba mais sobre a Diabetes

Dra. Jane Feldman


Saber como descobrir qual é o problema quando uma pessoa portadora de diabetes sente-se mal e como saná-lo, talvez seja o sonho de muitos diabéticos. No entanto, a complexidade dessa máquina fantástica que é o nosso corpo e o pequeno conhecimento técnico sobre seu funcionamento, que a maioria das pessoas tem, dificulta bastante a sua realização. O que pensar então quando se trata da manipulação de alimentos, exercícios físicos e medicamentos.

Na era da globalização, o diabético necessita receber informações científicas seguras, objetivas e atualizadas sobre sua doença, para que possa fazer frente às dificuldades inerentes ao diabetes.

De acordo com dados do próprio Ministério da Saúde, aproximadamente 7,6% da população brasileira entre 35 e 69 anos de idade devem ser portadores de diabetes. Isso eqüivale a cerca de 11 milhões de pessoas, sendo que a boa parte dessas pessoas ignora sua condição e portanto não recebe qualquer tipo de cuidado.

Embora se associe o diabetes ao idoso e ao obeso, ele é a principal causa de doenças crônicas na infância. O diabetes é uma síndrome caracterizada pela presença de níveis elevados de glicose no sangue. A maior parte dos alimentos ingeridos sofre a ação de diversos sucos digestivos, que os quebram em moléculas mais simples, geralmente açúcares. A glicose é um açúcar proveniente da dieta. Uma vez ingerido, é absorvido pelo intestino, passando à circulação sangüínea, onde fica disponível para as células. Toda vez que um indivíduo ingere hidratos de carbono, dos quais a glicose é um dos mais importantes, a glicemia (glicose sanguínea) sobe . As células b das ilhotas de Langerhans, localizadas no pâncreas, que é uma grande glândula localizada atrás do estômago, ao detectarem pequenos aumentos de glicemia, secretam insulina, que faz com que essa glicose seja utilizada pelas células. A glicose é o principal combustível utilizado pelas células para produzir energia e crescimento. Quando a quantidade de insulina não é adequada, a maior parte das células não consegue utilizar a glicose, que permanece no sangue, atingindo níveis excessivamente altos e extremamente prejudiciais à saúde.

Essa glicose que não foi utilizada e ficou no sangue, é eliminada em parte pela urina, carregando consigo grande quantidade de água. Isso faz com que a pessoa urine muito (poliúria), perdendo água. Essa perda de água provoca a sensação de boca seca e muita sede (polidípsia). Se o indivíduo não conseguir compensar a perda de água ingerindo mais água, pode ficar desidratado. A insulina permite que o corpo armazene glicose sob a forma de gorduras e proteínas, principalmente proteínas musculares. Importantes enzimas participam deste processo e são dependentes da insulina. Na deficiência severa de ação de insulina, ocorre a quebra de gordura e proteínas armazenadas, levando à sensação de fraqueza e muita fome (polifagia), além de perda de peso. A quebra de gorduras pode levar a uma produção excessiva de ácidos e cetonas que, em quantidades excessivas, levam a uma situação clínica bastante grave, chamada de ceto-acidose diabética, que requer imediata atenção médica. Esse quadro manifesta-se através de uma mudança no padrão respiratório: a respiração torna-se rápida e profunda e o hálito tem um cheiro de acetona. Essas são, portanto, as principais manifestações clínicas do diabetes.

Valores normais de glicemia (níveis de glicose no sangue) são aqueles que oscilam entre 80 e 110 mg/dl. Quando os níveis de glicemia ultrapassam os 180 mg/dl, aparece glicose na urina (glicosúria).

Existem indivíduos, principalmente obesos, que têm quantidades normais de insulina, às vezes até maiores do que a de indivíduos não diabéticos, só que essa insulina não funciona adequadamente. Essa situação é conhecida como resistência periférica à ação da insulina.

A prevalência de diabetes vem aumentando progressivamente na população em geral, mais significativamente nas faixas etárias acima dos 60 anos. Dentre as possíveis causas desse aumento são citadas o aumento da urbanização e industrialização, sedentarismo, incidência de obesidade, expectativa de vida e maior sobrevida da própria população de diabéticos.

A etiologia do diabetes é complexa, entrando em jogo fatores genéticos e ambientais, como viroses e os citados acima.

De uma maneira simplista, podemos dividir o diabetes em tipo I ou insulino-dependente e tipo II ou insulino-independente. O diabetes tipo I ocorre geralmente em indivíduos jovens e magros e tem um início tempestuoso. Antigamente era conhecida como diabetes juvenil. Nessa forma, ocorre uma destruição das células b do pâncreas, destruição essa ainda não muito bem compreendida e que acarreta a insuficiência total da secreção de insulina. Em sua etiopatogenia participam, com certeza, fatores genéticos, imunológicos (auto anticorpos anti-insulina, anti-ilhotas e anti GAD) e ambientais. Modernas técnicas genéticas vêm sendo desenvolvidas com o intuito de identificar parentes de diabéticos tipo I predispostos à doença e com isso tentar minimizar seu risco.

Já o diabetes tipo II, muito mais freqüente, tem um início insidioso, ocorrendo em pessoas mais idosas e em geral obesas. Muitas vezes o indivíduo é portador de diabetes durante anos sem percebê-lo. Esses indivíduos produzem insulina, podendo ter uma diminuída reserva da mesma ou, como ocorre em obesos, existe uma resistência à ação periférica da insulina.

Além dessas duas formas mais comuns de diabetes, existe ainda o diabetes gestacional e o diabetes associado a outras patologias, como algumas síndromes ou o uso de altas doses de glicocorticóides.

O diabetes gestacional surge durante a gestação e freqüentemente desaparece ao término da mesma. As mulheres que tiveram diabetes gestacional tem grande risco de desenvolver diabetes no futuro. Muitas dessas pacientes conseguem manter-se compensadas apenas com dieta e exercícios. No entanto, algumas podem requerer o uso de insulina. O uso de hipoglicemiantes orais é contra-indicado durante a gestação, devido aos riscos para o feto.

Mais raramente, o diabetes pode ser manifestação de outras patologias, como por exemplo a doença de Cushing e a acromegalia.

Dra. Jane feldman
Endocrinologista - São Paulo/SP

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CICLO DE PALESTRAS.

MARIGHELLA VIVE
UMA HOMENAGEM A ESTE GRANDE BRASILEIRO.
DEBATES E LANÇAMENTO DE LIVROS.

DIAS 11, 12 E 13 DE NOVEMBRO.

LOCAL: ASSOCIAÇÃO SHOLEM ALEICHEM (ASA) RUA São Clemente, 155 – BOTAFOGO -(próximo à estação do metrô BOTAFOGO) - RIO DE JANEIRO.
HORÁRIO: DAS 19h00min até 21h00min h.

INSCRIÇÕES GRATUITAS PELO EMAIL: cemobafluminense@terra.com.br

Ou na ASA, duas horas antes da abertura (dia 11/11 das 17h00min até 18h45minh). VAGAS LIMITADAS.

PROGRAMAÇÃO
11/11/09 - Quarta-feira – ESTADO, AUTORITARISMO E VIOLÊNCIA
JOÃO BATISTA DAMASCENO (MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA).

12/11/09 – Quinta-feira – O ATO INSTITUCIONAL Nº 5 e a REPRESSÃO - Professor RUBIN S. LEÃO DE AQUINO (AUTOR DE LIVROS DE HISTÓRIA).

13/11/09 – Sexta-feira – “CARLOS, A FACE OCULTA DE MARIGHELLA” - EDSON TEIXEIRA – PROFESSOR E ESCRITOR e “MARIGHELLA E A ALN”
CARLOS EUGÊNIO PAZ – ESCRITOR, MILITANTE E DIRIGENTE DA ALN.



VENHA E PARTICIPE!

Para se inscrever envie: Nome, endereço, profissão, endereço de e-mail. E aguarde a confirmação da sua inscrição.

Visite nosso site: www.cemobafluminense.com.br

Apoio: Associação Sholem Aleichem.

CURSO GRÁTIS E DE QUALIDADE

sábado, 31 de outubro de 2009

DEPUTADA ANDREIA ZITO APRESENTA O PROJETO DE LEI QUE BENEFICIARÁ TODOS OS CIDADÃOS CONTRIBUINTES, EM SUAS DECLARAÇÕES ANUAIS SOBRE OS RENDIMENTOS REC

Nesta data, foi entregue no Plenário desta Casa Parlamentar o Projeto de Lei nº 6.305, de 2009, de autoria da deputada federal Andreia Zito que versa sobre acrescentar no artigo 12 da Lei nº 9.250, de 1995, o inciso VIII.

Este Inciso garantirá a todos os contribuintes ou seus dependentes portadores de doenças incuráveis a dedução de despesa com medicamento de uso contínuo até o limite de 5% (cinco por cento) sobre o rendimento anual recebido.

Veja na íntegra:-

PROJETO DE LEI Nº 6.305/2009

(Da Senhora Andreia Zito)

Altera a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, para acrescentar o Inciso VIII, no art. 12.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Acrescenta-se ao artigo 12, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, o Inciso VIII, na forma que se segue:-

“VIII As importâncias pagas, a título de despesa com medicamentos de uso contínuo, quando o contribuinte ou seus dependentes, for portador de doença incurável, comprovada por laudo médico, exarado por profissional da medicina especializada, até o limite de 5% (cinco por cento) sobre o rendimento anual recebido.”

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na da de sua publicação.

MAIS UMA VITORIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS APOSENTADOS POR INVALIDEZ PERMANENTE COM PROVENTOS PROPORCIONAIS.

A PEC Nº 270/2008, de autoria da deputada Andreia Zito, conseguiu subir mais um degrau: Em 28 de outubro de 2009, o deputado relator, Arnaldo Faria de Sá, entregou na Comissão Especial destinada a proferir parecer, o Relatório com o seguinte entendimento: “Dessa forma, diante de todo o exposto, nosso voto é pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição Federal nº 270-A, de 2008, pela admissibilidade de todas as emendas apresentadas, pela aprovação parcial da emenda nº 2, pela aprovação integral da emenda nº 6 e pela rejeição das emendas nº 1, 3, 4 e 5, na forma do Substitutivo anexo.”

Declarou a deputada Andreia Zito: “Neste momento e pela coincidência da entrega desse relatório pelo deputado relator, no dia do servidor público, muito me deixa entusiasmada e acreditando ainda mais que esta minha proposição de emenda à constituição Federal é o retrato fiel do que se pode conseguir, a título de se restabelecer o direito que entendemos ser de JUSTIÇA. A nossa luta continua e, somente, com a solidariedade de todos vocês servidores públicos, poderemos continuar esperançosos em poder atingir mais rapidamente, o nosso objetivo final: a transformação da PEC 270/2008 em Emenda Constitucional. Nossos Parabéns.”

E.T. O Substitutivo na íntegra pode ser visto no site www.camara.gov.br



Deputada Andreia Zito

SEMANA NA CONSCIÊNCIA NEGRA E SEMINÁRIO MATRIZ AFRICANA NO SESC ENGENHO DE DENTRO

O bairro do Engenho de Dentro, que um dia fez parte das freguesias de São Cristóvão, Engenho Novo e Engenho Velho, terras de jesuítas, tem em sua identidade, a presença da cultura afro-descendente impressa em suas ruas e história. As terras que já foram ocupadas por escravos forros hoje guardam marcas de sua ocupação na Serra dos Pretos Forros, na presença do futebol e do samba.
O desmembramento das chácaras da região deram lugar às ruas Dr. Peçanha, hoje Adolfo Bergamini, Dr. Leal, Dr. Bulhões, dentre outras.
O primeiro concurso de escola de samba aconteceu no Engenho de Dentro, com desfile realizado na avenida Adolfo Bergamini, onde hoje está a Escola de Samba Arranco. Passaram também por ali o Bloco da Alvorada e o Bloco da Chave de Ouro.
A partir da abertura da Estrada de Ferro Dom Pedro II, com a instalação de oficinas ferroviárias, o bairro ganhou ares de modernidade que desembocaram nas dimensões metropolitanas de hoje com a presença do Estádio João Havelange (Engenhão), e da Linha Amarela, que leva à Barra da Tijuca, valorizando todo o entorno.
Fundamentado na história e na necessidade de fomentar a discussão sobre a preservação da memória e da cultura afro-descendente, como uma das matrizes da identidade do bairro e do povo brasileiro, o SESC Engenho de Dentro realiza em novembro, a Semana da Consciência Negra, promovendo, entre outras atividades, o Seminário Matriz Africana.
A proposta do seminário é contribuir com os debates sobre a promoção da igualdade e erradicação da discriminação racial e étnica e a preservação da memória, tradição e influência da cultura africana na formação da identidade brasileira.
Em anexo estão o folder com a programação completa e a ficha de inscrição.
Para o Seminário serão oferecidas 100 (cem) vagas gratuitas para a comunidade, professores, estudantes, artistas, produtores culturais etc.
Envie a ficha de inscrição preenchida para o e-mail seminariosescmatrizafricana@yahoo.com.br

ESTA DIVULGAÇÃO É UM ATO DE AMOR.

O HOSPITAL SARAH RIO, especializado em neuroreabilitação, inaugurado no dia 01 de maio de 2009, na Barra da Tijuca, já está cadastrando para atendimento, novos pacientes adultos e crianças com as seguintes patologias:

- paralisia cerebral

- crianças com atraso do desenvolvimento motor

- sequela de traumatismo craniano

- sequela de AVC

- sequelas de hipóxia cerebral

- malformação cerebral

- sequela de traumatismo medular

- doenças medulares não traumáticas como mielites e mielopatias

- doenças neuromusculares como miopatias, neuropatias periféricas hereditárias e adquiridas, amiotrofia espinhal

- doença de Parkinson e Parkinsonismo

- Ataxias

- doença de Alzeihmer e demências em estágio inicial

- Esclerose múltipla

- Esclerose lateral amiotrófica em estágio inicial

- mielomeningocele

- espinha bífida

- paralisia facial

O atendimento é totalmente gratuito.

O cadastro para atendimento de novos pacientes é feito exclusivamente pelo telefone: 21 3543-7600, das 08 às 17 horas, de segunda a sexta-feira.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

VILA OLÍMPICA NO SÃO BENTO JÁ

JA PASSOU DA HORA DE NOSSA REGIÃO QUE ABRANGE DA PONTE DO GRAMACHO ATÉ O PILAR, (GRANDE SÃO BENTO), TER-MOS A NOSSA VEZ, DEIXO POR AQUI O MEU MANIFESTO PELA CRIAÇÃO DE UMA VILA OLIMPICA NO SÃO BENTO COM O APROVEITAMENTO DO TERRENO IMENSO QUE EXISTE AO LADO DA ESCOLA MUNICIPAL E DA FEUDUC, NOSSO POVO MERECE ESTE GRANDE INVESTIMENTO QUE CERTAMENTE HUMANIZARÁ ESTE ESPAÇO QUE TEM UMA GRANDE FREQUÊNCIA DE ADULTOS E CRIANÇAS, MAS QUE AO MESMO TEMPO É TÃO ESQUECIDO. VAMOS LEVAR ESTA PROPOSTA AOS NOSSO AMIGOS, INIMIGOS, VIZINHOS, PARENTES, CLIENTES, FREGUESES, ENFIM A TODOS QUE TIVEREM CONDIÇÕES DE AJUDAR NESTE PROCESSO, UM BENÉFICIO QUE SERVE PARA TODA A FAMILIA DA GRANDE SÃO BENTO. VAMOS LÁ GENTE AJUDE A PROMOVER ESTA IDÉIA.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

6 de outubro de 2009

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja - o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de
acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a
grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São
Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.

Direção Estadual do MST-SP

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

U=R=G=E=N=T=Í =S=I=M= O Fiquem atentos

nos próximos dias!
Não abram nenhuma mensagem com um arquivo chamado

" C (convite de Formatura)",
Independente de quem a enviou.·
é um vírus que 'abre' uma tocha olímpica que 'queima' todo o Disco
rígido do computador.

Este vírus virá de uma pessoa conhecida
que tem seu nome em sua Lista de endereços, por isso você deve enviar esta mensagem a todos Os seus contactos.·
É preferível receber 25 vezes esta
mensagem, do que receber o vírus e abrí-lo..·
Se receber a mensagem chamada 'Invitation' não a abra e apague do seu computador imediatamente!·
É o pior vírus Anunciado pela CNN e
classificado pela Microsoft Como o mais destrutivo que já
existiu .

Ele foi
descoberto pela McKafee e não existe Anti-vírus para ele·
O vírus destrói o Sector Zero do Disco Rígido, onde as informações Vitais de seu funcionamento são guardadas.·

ENVIE ESTA MENSAGEM A TODOS QUE VOCÊ CONHECE

sábado, 3 de outubro de 2009

Arco Rodoviario do Rio de Janeiro

Para informações de todos, eis ai um pequenmo video sobre a região que recebera as obras do arco rodoviario do Rio de Janeiro. Esperamos que esta importante obra seja concluida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CIRO GOMES: O SUCESSOR NATURAL DE LULA -

No segundo Congresso Nacional da CTB, Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, realizado em São Paulo, entre os dias 24 e 26, que contou com a participação de mais de 1.300 delegados de 27 Estados, mais Brasilia, ficamos com a certeza de que a criação da Central foi um acerto, o caminho e o pensamento de organizar os trabalhadores a partir da construção classista e não sobre os arremendos e o centralismo de tendências burocraticas e fisiológicas. A prática tem demostrado que uma nova Central, que se propoe a fazer a quebra dos paradigmas, mal resolvidos entre o velho e o novo sindicalismo, para avançar nas conquistas dos trabalhadores e uma necessidade premente. É fato, que do 1ºpara o 2º congresso nacional, sindicatos, federações e confederações diversos fizeram a leitura do momento em que vivemos e passaram a integrar a CTB, outros participaram para ver de perto, e saíram com a melhor impressão possível, inclusive arregimentando pelo convencimento outros pares sindicais pelo país afora. Estou certo que o 3º congresso será marcado pela grande disputa entre as entidades que certamente faram parte da CTB neste período, que somados aos fundadores da CTB, transformarão esta Central na maior e mais organizada democracia sindical da América e do mundo, com respaldo do trabalhador o sentido de tudo. Fazer a luta por um Brasil melhor e tarefa básica para conquistar-mos um mundo melhor também - por lá estiveram presentes diversas politicas e todas as Centrais foram convidadas a participar. No segundo dia de Congresso fomos brindado com a prticipação inteligente e preparada de Ciro Gomes (PSB)que orgulha muito a nós que fazemos parte deste partido que apesar de algumas contradições internas, consegue, com a sua militância de raíz socialista e com nomes com a expressão de Ciro Gomes e a Memória de Miguel Arraes, vitaminar seus seguidores pela continuidade deste novo Brasil pôs 2003 e que precisa de Ciro Gomes para aprofundar as mudanças sociais que o país precisa, para entrar de vez como protagonista na organização mundial de um mundo melhor, com bases socialistas. Salve Ciro 2010.